15/07/2026 06:10

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Brasil e Paraguai unem Ponte da Bioceânica em marco histórico nesta quarta

Beijo das aduelas liga as duas margens do Rio Paraguai e coloca obra na reta final da construção.

Da Redação

O “beijo das aduelas” une definitivamente as duas frentes de construção da Ponte da Bioceânica sobre o Rio Paraguai e marca a reta final da obra entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta (Foto: Toninho Ruiz).

A integração física entre Brasil e Paraguai dará um passo histórico nesta quarta-feira (15), com a união definitiva das duas frentes de construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica sobre o Rio Paraguai. O chamado “beijo das aduelas” marcará o encontro dos trens de avanço que partiram simultaneamente de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e de Carmelo Peralta, no Paraguai, formando pela primeira vez um único corpo estrutural.

O momento é considerado o principal marco da engenharia da obra e simboliza a ligação física entre os dois países. Conforme a mensagem preparada para a cerimônia, “não será apenas um encontro de concreto e aço. Será o abraço de dois povos, a ligação de duas nações e o nascimento de uma nova história para a América do Sul”.

Até a semana passada, apenas 5,60 metros separavam as duas extremidades da estrutura. Conforme o Consórcio PyBra, responsável pela execução da obra, a conexão das aduelas encerra a fase mais complexa da construção e permite o avanço para a etapa final dos trabalhos, que inclui pavimentação, iluminação, sinalização, instalação de guarda-corpos, dispositivos de segurança, sistemas anticolisão e antissuicídio, além dos acabamentos.

Engenharia de precisão

O “beijo das aduelas” é uma etapa característica das pontes construídas pelo método dos balanços sucessivos. Durante a execução, as estruturas avançam simultaneamente a partir das duas margens até que as peças centrais sejam unidas com precisão milimétrica, formando uma única estrutura contínua.

A ponte está sendo construída pelo Consórcio PyBra, sob coordenação do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai, com recursos da Itaipu Binacional, margem paraguaia. Com 1.294 metros de extensão, a estrutura é considerada uma das principais obras de infraestrutura em execução na América do Sul e o elo mais importante da Rota Bioceânica.

Segundo o Consórcio PyBra, cerca de 140 trabalhadores permanecerão no canteiro para concluir os serviços finais. A expectativa é que a ponte seja finalizada em outubro deste ano.

Acessos ainda seguem em obras

Embora a ponte entre na reta final, os acessos continuam em execução nos dois países. No Paraguai, a Itaipu Binacional também financia a construção dos 3,8 quilômetros que ligarão a cabeceira da ponte à rodovia PY-15, com previsão de entrega juntamente com a estrutura principal.

No Brasil, o cronograma é mais longo. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) trabalha na implantação dos 13,1 quilômetros de acesso entre a BR-267 e a ponte, além da construção do Centro Unificado de Fronteira. A previsão oficial é de conclusão apenas no segundo semestre de 2027.

Corredor estratégico para Mato Grosso do Sul

A Ponte Internacional é a principal ligação da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico. A nova rota deverá reduzir distâncias, tempo de transporte e custos logísticos para as exportações destinadas aos mercados asiáticos.

Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é ampliar a competitividade de produtos como celulose, minério de ferro, soja, milho, algodão e proteínas animais, além de fortalecer o turismo, o comércio de fronteira e a integração econômica entre os países sul-americanos.

Com o encontro das duas estruturas nesta quarta-feira, a obra deixa de ser apenas um grande projeto de engenharia para se transformar, simbolicamente, na primeira ligação física permanente da Rota Bioceânica entre Brasil e Paraguai. O “beijo das aduelas” representa não apenas a união de concreto e aço sobre o Rio Paraguai, mas também o início de uma nova etapa para a integração logística e econômica do continente.

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