Ferramenta apresentada na COP15 mapeia 89 espécies vulneráveis em 56 países e orienta ações de proteção ambiental
Da Redação

Um novo atlas internacional apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelou, com precisão inédita, as rotas migratórias de aves altamente vulneráveis nas Américas, indicando áreas prioritárias para ações de conservação. A ferramenta foi apresentada durante a COP15, realizada em Campo Grande, e reúne dados de 89 espécies distribuídas em 56 países do continente.
Desenvolvido pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell em parceria com a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), o Atlas das Rotas Migratórias das Américas identifica locais essenciais para reprodução, descanso e invernada das aves, ambientes cada vez mais pressionados por fatores como perda de habitat, expansão de infraestrutura e mudanças climáticas.
A plataforma utiliza milhões de registros da ciência cidadã, coletados por meio do sistema eBird, aliados a modelagem científica avançada. Com isso, identifica as chamadas “Áreas de Concentração de Aves”, regiões onde espécies ameaçadas se agrupam em diferentes fases do ciclo migratório.
O estudo evidencia a complexidade das rotas migratórias, que se estendem do Ártico canadense até a Patagônia, no Chile. Ao todo, 622 espécies dependem de uma rede interligada de habitats ao longo do continente — muitos deles em processo de degradação.
Entre as espécies analisadas estão aves como o maçarico-acanelado (Calidris subruficollis), o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), a mariquita-azul (Setophaga cerulea), o flamingo-dos-andes (Phoenicoparrus andinus) e o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), todas dependentes de diferentes ecossistemas para sobreviver ao longo de suas rotas migratórias.
De acordo com os responsáveis pelo projeto, a principal inovação do atlas é transformar dados científicos em uma ferramenta prática para tomada de decisão. A proposta é auxiliar governos e instituições a direcionarem esforços de conservação com maior eficiência, especialmente em áreas onde a intervenção pode gerar maior impacto.
O lançamento ocorre em um momento de crescente preocupação global com o declínio das espécies migratórias, tema central das discussões da COP15, que reúne representantes de 133 países para debater medidas de proteção e cooperação internacional.
Para a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, a iniciativa representa um avanço na integração entre ciência e políticas públicas. Já o presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou que o atlas reforça a necessidade de ação coordenada entre países para garantir a preservação dos corredores ecológicos que sustentam a vida migratória no continente.
Serviço
Ferramenta: Atlas das Rotas Migratórias das Américas
Acesso: https://www.cms.int/atlas-americas-flyways
Evento de lançamento: COP15
Data: 26 de março de 2026
Local: Campo Grande (MS)





