27/03/2026 16:31

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Atlas global revela rotas de aves migratórias e aponta áreas críticas de conservação nas Américas

Ferramenta apresentada na COP15 mapeia 89 espécies vulneráveis em 56 países e orienta ações de proteção ambiental

Da Redação

A ferramenta foi apresentada durante a COP15, realizada em Campo Grande (Foto: Divulgação).

Um novo atlas internacional apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelou, com precisão inédita, as rotas migratórias de aves altamente vulneráveis nas Américas, indicando áreas prioritárias para ações de conservação. A ferramenta foi apresentada durante a COP15, realizada em Campo Grande, e reúne dados de 89 espécies distribuídas em 56 países do continente.

Desenvolvido pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell em parceria com a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), o Atlas das Rotas Migratórias das Américas identifica locais essenciais para reprodução, descanso e invernada das aves, ambientes cada vez mais pressionados por fatores como perda de habitat, expansão de infraestrutura e mudanças climáticas.

A plataforma utiliza milhões de registros da ciência cidadã, coletados por meio do sistema eBird, aliados a modelagem científica avançada. Com isso, identifica as chamadas “Áreas de Concentração de Aves”, regiões onde espécies ameaçadas se agrupam em diferentes fases do ciclo migratório.

O estudo evidencia a complexidade das rotas migratórias, que se estendem do Ártico canadense até a Patagônia, no Chile. Ao todo, 622 espécies dependem de uma rede interligada de habitats ao longo do continente — muitos deles em processo de degradação.

Entre as espécies analisadas estão aves como o maçarico-acanelado (Calidris subruficollis), o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), a mariquita-azul (Setophaga cerulea), o flamingo-dos-andes (Phoenicoparrus andinus) e o maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), todas dependentes de diferentes ecossistemas para sobreviver ao longo de suas rotas migratórias.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, a principal inovação do atlas é transformar dados científicos em uma ferramenta prática para tomada de decisão. A proposta é auxiliar governos e instituições a direcionarem esforços de conservação com maior eficiência, especialmente em áreas onde a intervenção pode gerar maior impacto.

O lançamento ocorre em um momento de crescente preocupação global com o declínio das espécies migratórias, tema central das discussões da COP15, que reúne representantes de 133 países para debater medidas de proteção e cooperação internacional.

Para a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, a iniciativa representa um avanço na integração entre ciência e políticas públicas. Já o presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou que o atlas reforça a necessidade de ação coordenada entre países para garantir a preservação dos corredores ecológicos que sustentam a vida migratória no continente.

Serviço

Ferramenta: Atlas das Rotas Migratórias das Américas
Acesso: https://www.cms.int/atlas-americas-flyways
Evento de lançamento: COP15
Data: 26 de março de 2026
Local: Campo Grande (MS)

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