25/02/2026 16:22

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Área queimada no Brasil cai 36% em janeiro e atinge menor nível dos últimos dois anos

Amazônia concentra 77% do total, enquanto Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica registram alta pontual no período.

Da Redação

Área queimada no Brasil em janeiro de 2026 recua 36% frente ao ano anterior, mas Amazônia mantém maior concentração de focos (Foto: MapBiomas/Monitor do Fogo).

O Brasil registrou 437 mil hectares queimados em janeiro de 2026, o menor volume para o mês nos últimos dois anos. O número representa redução de 36% em relação a janeiro de 2025 e de 58% frente a janeiro de 2024, conforme dados inéditos do MapBiomas, divulgados pela plataforma Monitor do Fogo.

Do total da área queimada no país no primeiro mês do ano, 66,8% ocorreram em vegetação nativa. A formação campestre foi a classe mais atingida, respondendo por 35% desse total. Entre os usos agropecuários, as pastagens concentraram 26,3% da área queimada.

Mesmo com a redução nacional, a Amazônia permanece como o bioma mais afetado. Foram 337,2 mil hectares queimados em janeiro de 2026, volume nove vezes superior ao registrado no segundo bioma mais impactado, o Pantanal, que somou 38 mil hectares.

Os estados com maior área queimada no período foram Roraima (156,9 mil hectares), Maranhão (109 mil hectares) e Pará (67,9 mil hectares). Juntos, concentraram 76% de toda a área atingida pelo fogo no país em janeiro.

Em Roraima, os municípios mais afetados foram Pacaraima (61,8 mil hectares), Normandia (42,9 mil hectares) e Boa Vista (18,8 mil hectares).

Segundo Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do MapBiomas Fogo, o cenário climático de Roraima explica o predomínio do fogo na região. O estado atravessa o período seco entre dezembro e abril, conhecido como “verão roraimense”, condição que aumenta a vulnerabilidade ao fogo, especialmente em áreas abertas e formações campestres.

Aumentos pontuais em outros biomas

Apesar da queda nacional, alguns biomas apresentaram alta em janeiro. O Pantanal registrou aumento de 323% em relação ao mesmo mês de 2025. A Caatinga teve 18,4 mil hectares queimados, crescimento de 203%, com 82,8% da área atingida em vegetação nativa.

Na Mata Atlântica, foram 14,8 mil hectares queimados, alta de 177% frente a janeiro do ano anterior, sendo 95% da área em regiões de uso agropecuário. Já o Cerrado registrou 28,7 mil hectares queimados, queda de 8%. No Pampa, a área atingida foi de 59 hectares, redução de 98%.

Para Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, os aumentos pontuais chamam atenção por ocorrerem em um mês que, historicamente, registra menos fogo devido ao período chuvoso na maior parte do país.

Do ponto de vista metodológico, o MapBiomas esclarece que a estimativa de área queimada depende da observabilidade dos sensores de satélite, que pode ser limitada pela cobertura de nuvens no período chuvoso. A nebulosidade reduz a disponibilidade de imagens úteis e pode levar à subdetecção de cicatrizes menores ou de curta duração.

O Monitor do Fogo realiza o mapeamento mensal de cicatrizes de incêndio no Brasil desde 2019, com base em imagens multiespectrais do satélite Sentinel-2, com resolução espacial de 10 metros e atualização quase em tempo real. A plataforma permite acompanhar a localização e a extensão das áreas queimadas em todo o território nacional.

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