Pesquisa apresentada no III Fórum Agro mostra expansão do setor entre 2022 e 2024, mas indica que outros segmentos avançaram em ritmo mais acelerado, reduzindo o peso relativo do agro no total da economia brasileira.
Da Redação

O agronegócio brasileiro manteve trajetória de crescimento nos últimos anos, mas perdeu participação relativa no conjunto da economia nacional. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e por sua spin-off Empresômetro mostra que o setor cresceu 9,0% entre 2022 e 2024, alcançando R$ 12,3 trilhões, embora sua fatia no total da economia tenha recuado de 33,0% para 25,1% no mesmo período. O estudo foi apresentado durante o III Fórum Agro e analisou o impacto de fatores econômicos, financeiros, climáticos e estruturais sobre o desempenho do setor.
De acordo com a apuração, a redução da participação não está associada a retração do agronegócio, mas ao crescimento mais acelerado de outros segmentos, especialmente indústria e serviços. Segundo o IBPT, o comportamento dos dados pode indicar um processo de diversificação econômica ou maior dinamismo de setores que ampliaram sua relevância nas transações totais registradas no país.
Na análise dos valores transacionados, que incluem compras, vendas, transferências e remessas, o estudo aponta avanço expressivo, passando de R$ 34,3 bilhões em 2022 para R$ 49,1 bilhões em 2024, uma variação acumulada de 43,3% em dois anos. Para a entidade, esse movimento reflete maior volume de movimentações econômicas e intensificação das operações, especialmente em 2024, quando a alta foi de 38,8% em relação a 2023.
Os valores comercializados, que consideram apenas operações efetivas de compra e venda, também registraram crescimento significativo. Segundo o IBPT, o montante saltou de R$ 23,1 trilhões em 2022 para R$ 33,4 trilhões em 2024, um avanço de 44,4% no período. O presidente do IBPT, Gilberto do Amaral, afirma que o desempenho entre 2023 e 2024 foi determinante. “Ao excluir remessas, transferências e movimentações internas, esses números mostram que o crescimento decorre de operações efetivamente realizadas no mercado, reforçando o maior volume de negócios e a expansão da demanda agregada”, pontua ele.
O estudo também analisa o comportamento dos produtores rurais dentro do agronegócio. De acordo com os dados, esse grupo apresentou expansão de 10,6% entre 2022 e 2024, com aumento da participação relativa de 18,7% para 19,0%. Para o IBPT, o resultado indica crescimento da produção própria e maior registro de operações, reforçando a profissionalização e a formalização do setor rural.
Segundo o diretor do IBPT, Carlos Pinto, a leitura dos números exige atenção estratégica. Ele afirma que o avanço dos valores transacionados demonstra maior movimentação da economia como um todo, mas também evidencia que o crescimento está concentrado fora do núcleo agrícola. “Isso mostra que há oportunidades de expansão fora do núcleo agrícola e que a estratégia de logística, compras e vendas precisa acompanhar o maior volume de operações”, comenta.Entre 2023 e 2024, a participação do produtor rural dentro do agronegócio permaneceu praticamente estável, passando de 17,2% para 17,4%. No entanto, a presença desse grupo no total da economia brasileira caiu de 5,5% para 4,2%, acompanhando a retração relativa do próprio agronegócio. Para o IBPT, o cenário indica que, embora o setor rural mantenha competitividade interna, a perda de espaço frente ao avanço de outros segmentos reforça a necessidade de ganhos de eficiência e diversificação.
Em números absolutos, o total de produtores rurais cresceu de 5,38 milhões em 2022 para 5,58 milhões em 2024, alta de 3,7%. O crescimento entre 2023 e 2024 foi mais moderado, de 1,0%, sugerindo desaceleração no ritmo de entrada de novos profissionais. Os produtores individuais, registrados como pessoa física, seguem majoritários, representando cerca de 71% da base, enquanto pessoas jurídicas e equiparadas apresentaram crescimento proporcionalmente maior no período.
Carlos Pinto destaca que o avanço das pessoas jurídicas indica maior formalização e entrada de agentes com estrutura empresarial. “Os dados sugerem que o setor continua majoritariamente composto por indivíduos, mas cresce proporcionalmente mais entre empresas. Para políticas públicas e programas de incentivo, é importante considerar esse movimento, pois pode demandar soluções diferenciadas para pequenos produtores e para grupos empresariais”, analisa.





