18/09/2026 15:15

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MS lidera país em escolas com profissionais de apoio a alunos com deficiência

Dados divulgados pelo IBGE mostram que 51,37% das escolas públicas do Estado contam com esses profissionais; MS também é 2º do Brasil em banheiros acessíveis e 3º em recursos de acessibilidade.

Da Redação

Mato Grosso do Sul lidera o país na proporção de escolas com profissionais de apoio a alunos com deficiência e está entre os primeiros colocados em indicadores de acessibilidade na educação básica (Foto: PMCG/DIvulgação).

Mato Grosso do Sul lidera o país na presença de profissionais de apoio para alunos com deficiência nas escolas. Em 2025, 51,37% dos estabelecimentos de ensino públicos e privados do Estado contavam com esses profissionais, praticamente o dobro da média brasileira, de 26,16%.

Quando consideradas somente as escolas públicas, a presença é ainda maior: 67,97% das unidades de Mato Grosso do Sul têm profissionais de apoio, contra 32,79% no país. Nos dois recortes, o Estado ocupa a 1ª posição entre as 27 unidades da Federação.

Os números fazem parte da segunda edição da publicação Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, divulgada nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento cruza informações do Censo Demográfico 2022 e da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) com bases do Censo Escolar e do Censo da Educação Superior, além de informações de outros órgãos públicos.

Os indicadores mostram que a posição de destaque de Mato Grosso do Sul não se restringe à presença de profissionais de apoio. O Estado também aparece entre os primeiros do Brasil quando são analisadas as condições de acessibilidade física das escolas.

Quase 94% das escolas têm algum recurso de acessibilidade

Das 1.859 escolas existentes em Mato Grosso do Sul em 2025, 93,87% possuíam pelo menos um recurso de acessibilidade. A média brasileira era de 78,51%.

Com resultado 15,36 pontos percentuais acima do índice nacional, Mato Grosso do Sul ocupa a 3ª posição entre os estados e o Distrito Federal.

A evolução também aparece na série histórica. Em 2019, 79,33% das escolas sul-mato-grossenses tinham pelo menos um recurso de acessibilidade. Seis anos depois, a proporção chegou a 93,87%, avanço de 14,54 pontos percentuais.

MS é o 2º do país em banheiros acessíveis

Outro indicador coloca Mato Grosso do Sul próximo do topo do ranking nacional. Em 2025, 85,75% das escolas do Estado possuíam banheiro acessível, enquanto a média brasileira era de apenas 57,05%. A diferença chega a 28,7 pontos percentuais, e coloca Mato Grosso do Sul na 2ª posição nacional.

Nas escolas públicas, 82,28% das unidades sul-mato-grossenses tinham banheiro acessível, frente a 54,78% no conjunto do país. Nesse recorte, MS também aparece na segunda colocação.

O avanço é consistente quando observado em uma perspectiva mais longa. Em 2016, 74,11% das escolas do Estado contavam com banheiro acessível. A proporção passou para 76,96% em 2019, 80,07% em 2022 e alcançou 85,75% em 2025. Em nove anos, portanto, houve crescimento de 11,64 pontos percentuais.

Salas para atendimento especializado têm avanço menor

O desempenho de Mato Grosso do Sul é menos destacado quando o indicador analisado é a existência de salas de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Em 2025, 35,66% das escolas sul-mato-grossenses possuíam esse tipo de estrutura, acima da média brasileira, de 29,95%, mas suficiente para colocar o Estado apenas na 12ª posição nacional.

Considerando exclusivamente a rede pública, 42,85% das escolas de MS tinham salas de recursos para AEE, contra 34,49% no Brasil. Nesse caso, o Estado aparece na 9ª posição.

Os números revelam, assim, diferenças dentro da própria estrutura de inclusão educacional: enquanto Mato Grosso do Sul está no topo do país na presença de profissionais de apoio e entre os primeiros colocados em acessibilidade física, a disponibilidade de salas específicas para AEE está mais próxima do padrão nacional.

Avanço na escola contrasta com mercado de trabalho

Os indicadores educacionais positivos convivem com uma desigualdade significativa quando as pessoas com deficiência chegam à idade adulta e são observadas pelo mercado de trabalho.

Segundo os dados do Censo 2022 reunidos pelo IBGE, 32,12% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam ocupadas em Mato Grosso do Sul. Embora o percentual seja superior à média brasileira, de 28,98%, ele fica muito distante dos 60,89% registrados entre as pessoas sem deficiência no próprio Estado.

A diferença chega a 28,77 pontos percentuais.

Entre as pessoas com deficiência que conseguiram uma ocupação, Mato Grosso do Sul volta a apresentar resultado superior ao nacional: 60,32% contribuíam para a Previdência, frente a 57,86% no Brasil. Ainda assim, entre trabalhadores sem deficiência no Estado, a proporção chegava a 69,65%.

MS tem 174 mil pessoas com deficiência

O Censo Demográfico de 2022 identificou aproximadamente 174,7 mil pessoas de dois anos ou mais com deficiência em Mato Grosso do Sul, o equivalente a 6,51% da população dessa faixa etária.

A proporção é inferior à brasileira, de 7,26%. Quando as unidades da Federação são ordenadas da maior para a menor participação de pessoas com deficiência na população, Mato Grosso do Sul aparece na 21ª posição.

O conjunto dos dados traça um cenário no qual Mato Grosso do Sul aparece entre os destaques nacionais na estrutura oferecida pelas escolas para inclusão de estudantes com deficiência, especialmente na presença de profissionais de apoio e na acessibilidade física. Os indicadores mostram, entretanto, que as desigualdades permanecem expressivas em outras etapas da vida, principalmente no acesso ao trabalho.

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