15/07/2026 07:16

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Plano busca unir conservação e desenvolvimento sustentável no sul do Pantanal

Estratégia prevê atuação integrada em área de 3 milhões de hectares com foco na biodiversidade.

Da Redação

Representantes de órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil discutiram estratégia para integrar conservação ambiental e desenvolvimento sustentável em uma área de 3 milhões de hectares no sul do Pantanal (Foto: Divulgação).

Representantes de órgãos ambientais, universidades e organizações da sociedade civil iniciaram a construção de uma estratégia conjunta para fortalecer a conservação do sul do Pantanal, aliando proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida das comunidades que vivem na região.

A proposta foi debatida durante reunião realizada em 19 de junho e é coordenada pela Wetlands International Brasil e pela Mupan (Mulheres em Ação no Pantanal). A iniciativa utiliza a metodologia internacional 4R (Quatro Retornos), que busca integrar benefícios ambientais, sociais, econômicos e de engajamento da sociedade em uma única estratégia.

Segundo a diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, Rafaela Nicola, o objetivo não é criar um novo projeto, mas conectar iniciativas que já atuam na conservação do bioma.

“O Pantanal precisa da nossa construção coletiva. Discutir e validar esse percurso, além de identificar oportunidades de colaboração com quem já atua na conservação da região, vai contribuir para a implementação dessa estratégia.”

Área de 3 milhões de hectares

A proposta prevê a criação da chamada Paisagem Emblemática Sul-Pantaneira, abrangendo aproximadamente 3 milhões de hectares. A ideia é estabelecer uma visão integrada para a região, alinhando instituições públicas, pesquisadores, organizações não governamentais e produtores rurais em torno de objetivos comuns para conservação e desenvolvimento sustentável.

A gestora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan, Letícia Larcher, explica que a área foi escolhida por sua relevância ambiental e por conectar importantes ecossistemas da América do Sul.

“A área abrange territórios estratégicos, como a Terra Indígena Kadiwéu, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, a Rede Amolar, a Serra da Bodoquena, além de propriedades rurais e parceiros ligados à agropecuária.”

Segundo ela, a região desempenha papel estratégico por funcionar como corredor ecológico entre o Pantanal, o Chaco e a Bacia do Prata.

Cinco eixos de atuação:

  • A estratégia será desenvolvida a partir de cinco frentes principais:
  • fortalecer instituições e políticas públicas;
  • ampliar a capacitação de lideranças e gestores;
  • conservar a biodiversidade e os recursos naturais;
  • monitorar indicadores ambientais e os resultados das ações;
  • estruturar mecanismos de financiamento para garantir a continuidade das iniciativas.

Durante o encontro também foram apresentados os resultados de cerca de 18 meses de estudos, construídos por meio de oficinas, entrevistas, consultas e reuniões com representantes de diferentes setores. O processo teve início após o Workshop de Mapeamento de Iniciativas Alinhadas à Abordagem de Paisagem, realizado em agosto de 2025.

Participaram das discussões representantes do Imasul, Semadesc, Reserva da Biosfera, Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD/UFMS), Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ICMBio, Parque Nacional da Serra da Bodoquena, Funbio, PPBio, Ibama e outras instituições parceiras.

A expectativa é que, ao longo dos próximos 10 anos, a estratégia consolide uma rede de cooperação entre governos, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e setor produtivo para ampliar a conservação do Pantanal e fortalecer iniciativas sustentáveis já existentes na região.

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