Estimativa da Conab indica queda de 5,4% na produção, apesar do avanço da área cultivada.
Da Redação

Mato Grosso do Sul deverá colher 12,470 milhões de toneladas de milho segunda safra na temporada 2025/2026, volume suficiente para manter o Estado na posição de terceiro maior produtor brasileiro, conforme o 10º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar da posição no ranking nacional ser preservada, a estimativa representa uma retração de 5,4% em relação ao ciclo anterior, quando a produção alcançou 13,186 milhões de toneladas.
Pelas projeções da Conab, apenas Mato Grosso, com expectativa de colher 55,867 milhões de toneladas, e o Paraná, com 17,615 milhões de toneladas, deverão produzir mais milho de segunda safra que Mato Grosso do Sul nesta temporada.
A redução da produção ocorre mesmo com a expansão da área destinada à cultura. Segundo a companhia, o cultivo avançou 2,7%, passando de 2,071 milhões para 2,173 milhões de hectares. O fator determinante para a queda da safra foi a redução da produtividade média, que recuou de 6.366 quilos por hectare (106,1 sacas) para 5.862 quilos por hectare (97,71 sacas).
Colheita ainda avança lentamente
De acordo com a Conab, a colheita começou em Mato Grosso do Sul, porém ainda ocorre de forma gradual. As chuvas registradas nas últimas semanas e a elevada umidade dos grãos têm limitado o avanço das máquinas no campo.
A expectativa é de que os trabalhos ganhem ritmo ao longo da segunda quinzena de julho, à medida que as condições climáticas se tornem mais favoráveis para a retirada da produção.
Com grande parte das lavouras em estágio mais avançado de desenvolvimento, o risco de perdas provocadas por geadas perde importância. Em contrapartida, os técnicos da companhia apontam que os vendavais previstos para agosto passam a representar a principal ameaça climática para as áreas cultivadas mais tardiamente, devido ao risco de acamamento das plantas.
Menor pressão de pragas e atenção às doenças
O levantamento também indica melhora no cenário fitossanitário em relação às pragas. A incidência de lagartas diminuiu significativamente e os casos que ainda exigem controle concentram-se em lavouras implantadas fora da janela ideal de plantio. Nessas áreas, também foi observado o surgimento de pulgões.
Por outro lado, os custos elevados de produção fizeram parte dos agricultores reduzir as aplicações preventivas de fungicidas. Como consequência, a Conab registrou aumento da ocorrência de bipolaris, considerada a principal doença observada no encerramento do ciclo, além de casos de diplodia e cercosporiose, embora em menor intensidade.
Mesmo diante desse cenário, a companhia avalia que as lavouras semeadas dentro da janela recomendada ainda apresentam potencial produtivo entre regular e bom. Já nas áreas implantadas mais tardiamente, principalmente em solos com menor capacidade de retenção de água, a restrição hídrica registrada no fim de abril reduziu o potencial inicialmente esperado para a safra.




