02/02/2026 17:44

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Especialista do hospital da UFMS esclarece sintomas, riscos e reforça que ‘não há motivo para alarme no Brasil’

vírus Nipah voltou a chamar atenção internacional após a notificação recente de casos entre profissionais de saúde no estado de Bengala Ocidental, na Índia — região onde não havia registros desde 2007. O cenário acendeu alertas globais, mas, segundo especialistas, não há motivo para pânico no Brasil.

De acordo com o médico infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), Dr. Alexandre Bertucci, mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias, a possibilidade de ocorrência de surtos no país é considerada muito baixa, estando restrita, em geral, à introdução pontual de casos com vínculo epidemiológico direto com áreas onde há circulação ativa do vírus, como a Índia.

“A principal mensagem para a sociedade é evitar o alarmismo. Embora seja uma doença grave, com alta letalidade, o risco de transmissão e chegada do vírus Nipah ao Brasil é considerado muito baixo”, destaca o infectologista.

Doença zoonótica e formas de transmissão

O vírus Nipah é um patógeno de origem zoonótica, ou seja, transmitido de animais para humanos. O principal reservatório natural são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. A transmissão pode ocorrer por contato direto com secreções infectadas desses animais, como saliva, secreções respiratórias e outros fluidos corporais, além do consumo de alimentos contaminados.

A doença também pode atingir outros animais, especialmente os porcos, que podem atuar como hospedeiros intermediários. Além disso, a transmissão entre humanos é possível, especialmente em ambientes hospitalares, por meio do contato com secreções respiratórias, saliva e fluidos corporais, o que explica o potencial epidêmico observado em surtos anteriores, como os registrados entre 2001 e 2008 em Bangladesh.

Sintomas e dificuldades no diagnóstico

Segundo o Dr. Alexandre Bertucci, um dos principais desafios relacionados ao vírus Nipah é que os sintomas iniciais são inespecíficos, o que pode atrasar a suspeita clínica e, consequentemente, o diagnóstico.

Os primeiros sinais costumam surgir entre 3 e 14 dias após o contato com o vírus e incluem febre, dor de garganta, tosse, dor de cabeça e falta de ar. Em alguns casos, a doença pode evoluir rapidamente para sintomas neurológicos mais graves, como tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais de encefalite aguda, uma inflamação grave do cérebro que pode levar à morte em até 75% dos casos.

O diagnóstico, nas fases iniciais, pode ser realizado por meio da identificação do vírus em fluidos infectados, como sangue, urina, líquor e secreções orofaríngeas e nasofaríngeas.

Tratamento e prevenção

Atualmente, não existe tratamento específico nem vacina contra o vírus Nipah. O manejo clínico é baseado em tratamento de suporte, incluindo hidratação, controle dos sintomas e acompanhamento rigoroso das complicações respiratórias e neurológicas.

Entre as principais medidas de prevenção estão:

  • isolamento de casos suspeitos e confirmados;
  • lavagem frequente das mãos;
  • uso de máscaras;
  • evitar contato com pessoas doentes, animais potencialmente infectados e alimentos contaminados;
  • reforço das medidas de biossegurança em serviços de saúde.

Papel dos hospitais universitários

O infectologista ressalta ainda a importância da atuação dos hospitais universitários da Rede Ebserh, como o Humap-UFMS, na vigilância e resposta a possíveis casos suspeitos.

“A contribuição dos hospitais universitários é fundamental na identificação precoce de casos suspeitos, especialmente quadros de encefalite aguda com histórico de viagem ou vínculo epidemiológico com áreas de transmissão, além do acionamento imediato das autoridades de vigilância em saúde”, explica.

Por fim, o especialista reforça que a melhor forma de se manter informado é buscar informações em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), evitando a propagação de fake news.

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