Estrutura que liga Porto Murtinho ao Paraguai supera 85% de execução e é peça central da Rota Bioceânica rodoviária.
Anderson Viegas com informações de Toninho Ruiz, de Porto Murtinho

As obras da ponte da Bioceânica, que vai ligar o Brasil ao Paraguai, foram retomadas nesta quarta-feira (7), após o recesso de fim de ano. A estrutura conecta o município de Porto Murtinho à cidade paraguaia de Carmelo Peralta e já ultrapassou 85% de execução, conforme o mais recente levantamento do Ministério de Obras Públicas e Comunicações. A expectativa é que a obra avance de forma contínua ao longo de 2026.
A ponte estaiada terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura. A conclusão da estrutura principal está prevista para o segundo semestre de 2026. Considerada uma das maiores obras de infraestrutura em execução na fronteira entre os dois países, a ponte é vista como estratégica para a integração regional e para a consolidação de novos fluxos logísticos na América do Sul.
Além da ponte principal, o projeto contempla 13,1 quilômetros de acessos rodoviários do lado brasileiro. Nesse trecho, estão em construção seis pontes intermediárias, uma delas com quase 700 metros de comprimento, necessária para a travessia de uma extensa área alagada. O conjunto de intervenções inclui ainda a implantação de um complexo alfandegário integrado em território brasileiro, fundamental para a operação do corredor internacional.
A ponte é considerada a principal obra da Rota Bioceânica rodoviária, que ligará o oceano Atlântico ao oceano Pacífico, atravessando o Chaco paraguaio e utilizando o Chile como porta de saída para os mercados asiáticos. De acordo com a Empresa de Planejamento e Logística, o corredor pode reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a distância marítima das exportações brasileiras para a Ásia, além de diminuir em até 23% o tempo de viagem até a China, o equivalente a cerca de 12 dias.

A retomada dos trabalhos nesta quarta-feira foi acompanhada pela equipe técnica responsável pelo empreendimento, liderada pelo engenheiro José Planás, ao lado dos engenheiros Renê Gomez, Kevyn, Douglas e Maicol Aquino. Entre os momentos mais aguardados da próxima fase está a junção da passarela central sobre o rio Paraguai, prevista para ocorrer até o final de abril de 2026, etapa considerada uma das mais complexas do ponto de vista técnico.
Para a coordenação da obra, a ponte representa mais do que um desafio de engenharia. “A conclusão desta obra é um marco para a engenharia do Paraguai e da América do Sul. Ela simboliza a união dos povos, a integração de culturas, costumes e economias dos quatro países que compõem o Corredor Bioceânico. Para nós, é uma honra assinar e concretizar uma obra dessa magnitude em nosso continente”, destacou a coordenação técnica.
O empreendimento conta com investimento estimado em US$ 100 milhões, financiado pela Itaipu Binacional pelo lado paraguaio, e é executado pelo Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil Construtora S/A, Paulitec Construções Ltda. e Cidade Ltda. A obra é considerada estratégica não apenas pela sua dimensão física, mas pelo impacto econômico, logístico e geopolítico que projeta para o futuro da integração sul-americana.





