09/01/2026 15:01

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Sebrae/MS impulsiona negócios da bioeconomia e abre caminho para mercados globais

Empreendedores de Mato Grosso do Sul avançam em plataformas internacionais, como a Amazon, e ganham visibilidade em eventos estratégicos ligados à sustentabilidade.

Da Redação

Beatriz Matos apresenta a nova linha Ybá Pet durante o EmpreendFest. (Foto: Anderson Viegas/Made in MS).

O Sebrae/MS vem ampliando a inserção de pequenos negócios de Mato Grosso do Sul no mercado nacional e internacional ao viabilizar parcerias globais voltadas à bioeconomia. A iniciativa beneficia mais de 200 empreendedoras e empreendedores que atuam com produtos e serviços ligados aos biomas Pantanal e Cerrado, com foco na ampliação de mercado, na qualificação de parcerias estratégicas e no fortalecimento da identidade sustentável dos negócios. O trabalho é desenvolvido por meio do programa Made in Pantanal, que tem permitido acesso a plataformas como a Amazon e participação em eventos internacionais de grande visibilidade.

A estratégia tem como objetivo romper barreiras geográficas e preparar os pequenos negócios para atender mercados fora do estado. Segundo o analista-técnico do Sebrae/MS, Vinícius Pacheco, o processo exige curadoria e capacitação para que os empreendedores estejam aptos a competir em novos patamares. Ele destaca que a consolidação dessas marcas no médio e longo prazo vai além da venda direta e envolve a construção de uma imagem associada à bioeconomia e à sustentabilidade, criando oportunidades consistentes de crescimento.

“Não se trata apenas de vendas diretas, mas da construção de uma imagem de marca associada à bioeconomia e à sustentabilidade. Nossa previsão é de forte expansão para os próximos anos. Para 2026, a meta é expandir significativamente o número de empresas do selo Made in Pantanal. Estamos trabalhando ativamente na capacitação de novos grupos de empresários e na curadoria de produtos com potencial para o marketplace”, explica o analista.

A adesão ao selo Made in Pantanal garante aos negócios um certificado de origem e compromisso com práticas sustentáveis. Com isso, os produtos passam a carregar maior valor agregado ao estarem vinculados à história, à cultura local e à conservação ambiental, facilitando o acesso a nichos de consumo que priorizam autenticidade e responsabilidade socioambiental. A estratégia começou a ser aplicada em 2022 e ganhou escala nos últimos três anos, com resultados positivos observados em espaços como o Brasil Biomarket, durante a COP30, em Belém.

Entre os empreendimentos que vêm conquistando espaço está a Cerrado em Pé, criada em 2022 pelos biólogos Rodrigo Borghezan e Bruna Oliveira. O negócio surgiu a partir da percepção das dificuldades enfrentadas por pequenos produtores na comercialização de hortaliças, frutas e outros alimentos. Após experiências iniciais com agroecologia e projetos ligados à conservação ambiental, o casal estruturou a empresa e passou a ampliar o portfólio, incluindo mel, castanha de baru, farinhas e guavira. Com o apoio de programas de inovação e a adesão ao Made in Pantanal, o empreendimento evoluiu para um modelo B2B e passou a atuar também com coffee break para eventos, além de produtos in natura e processados.

Outro exemplo é o da fisioterapeuta Beatriz Corregaro, que encontrou na bioeconomia uma oportunidade de reinventar sua trajetória profissional. Após realizar um curso de biojoias e iniciar a produção artesanal, ela consolidou a Flor de Luz Biojoias, marca que utiliza flores desidratadas e inspira-se na flora sul-mato-grossense. Com o reconhecimento do mercado e o selo Made in Pantanal, a empreendedora projeta para 2026 os primeiros passos rumo à exportação, apostando no valor da criatividade aliada à sustentabilidade.

Também com foco na expansão está a empresária Beatriz Mattos, que dá continuidade ao trabalho iniciado pela mãe com o uso do barbatimão, planta medicinal típica do Cerrado e de áreas do Pantanal. À frente da marca Ybá, ela ampliou a atuação para além do cuidado humano e lançou uma linha voltada ao mercado pet, mantendo o compromisso com matérias-primas biodegradáveis e embalagens sustentáveis. A participação em eventos internacionais e o acesso a marketplaces são vistos como estratégias fundamentais para ampliar a visibilidade da marca e alcançar novos mercados a partir de 2026.

Ao fomentar a bioeconomia e conectar pequenos negócios de Mato Grosso do Sul a plataformas globais, o Sebrae/MS fortalece uma cadeia produtiva baseada na sustentabilidade, na inovação e na valorização dos biomas locais. A iniciativa reforça o potencial do estado em gerar desenvolvimento econômico alinhado à conservação ambiental e à identidade regional.

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