Exportações de carne bovina de MS estão suspensas para os Estados Unidos após anúncio de tarifa de 50%; setor busca redirecionar produção para novos mercados.
Da Redação

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira deve impactar diretamente o mercado interno, provocando uma redução no preço da carne de segunda nos açougues e supermercados do país. A avaliação é do presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), Régis Comarella, diante da permanência do produto entre os itens tarifados pelo decreto assinado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira, 30 de julho. A medida entra em vigor no próximo dia 6 de agosto e levou as indústrias do Estado a suspenderem o envio de cargas aos Estados Unidos.
Segundo Comarella, a carne de segunda, especialmente o dianteiro bovino, é o principal tipo exportado para o mercado norte-americano e tende a ter queda de preço no mercado interno. “Para o consumidor está tendo impacto, principalmente na carne de segunda, que é a que mais se exportava para os EUA. Essa deve ter uma redução”, afirmou. Ainda não há estimativa precisa de percentual, já que os preços também são influenciados pela arroba do boi, que teve oscilação recente.
Com quatro plantas habilitadas atualmente para exportar aos Estados Unidos e outras em processo de habilitação, o setor agora busca redirecionar a produção para o mercado interno e países como Japão, Ásia, Chile e México. “As empresas estão ajustando suas escalas e destinando os lotes para outros mercados. Algumas cargas até foram suspensas porque não chegariam a tempo antes da entrada em vigor da tarifa”, explicou Comarella. Produtos embarcados até o dia da assinatura do decreto não serão afetados, desde que cheguem aos EUA até 5 de outubro.
O presidente do Sicadems destacou que não há planos de demissões ou fechamento de unidades, mas confirmou a redução pontual nas escalas de abate. “Houve sim uma redução no volume, não muito grande, mas suficiente até que as empresas consigam se adequar. O momento agora é de cautela e de procurar novos mercados”, afirmou. A exportação para os Estados Unidos está suspensa temporariamente, já que o acréscimo de 50% no custo torna inviável o envio de produtos.
Mato Grosso do Sul exportou em 2024 um total de US$ 215,8 milhões em carne bovina desossada e congelada para os Estados Unidos, o que representou 32,2% do total comercializado com o país. Com a nova tarifa, a carne bovina permanece como o único item de destaque da pauta estadual que não foi incluído na lista de isenções, ao contrário da celulose e do ferro-gusa, que juntos somaram mais de US$ 330 milhões e seguem com acesso liberado ao mercado americano.