O governo de São Paulo pretende reorganizar a oferta turística do estado, reunindo 284 municípios classificados como estâncias ou cidades de interesse turístico em um conjunto de 10 a 12 roteiros regionais. A estratégia busca facilitar a escolha dos destinos pelos visitantes, estimular viagens entre municípios próximos e ampliar os benefícios econômicos da atividade.
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (7) pela secretária estadual de Turismo e Viagens, Ana Biselli Aidar, durante encontro promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Em vez de divulgar centenas de cidades isoladamente, o governo pretende estruturar destinos regionais com características próprias, reunindo atrativos culturais, naturais, gastronômicos e históricos.eração ultrapassou 81 milhões de toneladas em 2024, conforme a Associação Brasileira de R
Segundo a secretária, a intenção não é privilegiar determinados municípios, mas integrar todos eles em roteiros capazes de oferecer experiências mais completas aos visitantes.
Entre os exemplos apresentados estão a Serra da Mantiqueira, reunindo São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, e um circuito que conecta Aparecida, destinos serranos e o litoral paulista.
Turismo pode movimentar R$ 369 bilhões
A reorganização ocorre em um momento de expansão da atividade turística. Segundo projeções da Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo, o setor deve movimentar R$ 369,4 bilhões no estado até o final de 2026.
O montante representa aproximadamente 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista. A estimativa também aponta cerca de 1 milhão de empregos diretos sustentados pela atividade e um fluxo de 52,8 milhões de visitantes.
Apesar desses números, parte significativa da movimentação permanece concentrada na capital paulista. A criação dos roteiros pretende distribuir melhor o fluxo turístico e incentivar a permanência dos visitantes por períodos mais longos.
Investimentos e dados para orientar decisões
A estratégia também prevê mudanças nos critérios de distribuição de recursos públicos para infraestrutura turística.
O Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur) deverá considerar com maior peso a qualidade dos planos municipais e regionais, além da capacidade de execução dos projetos apresentados pelas prefeituras.
Outra iniciativa envolve o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), que deverá incorporar dados de telefonia móvel para acompanhar os deslocamentos dos visitantes.
O governo também trabalha com investimentos em estruturas náuticas, incluindo 13 equipamentos em operação e outros 22 previstos para o próximo ciclo.
Setor privado defende planejamento de longo prazo
Durante o encontro, o executivo Fábio Godinho, que já comandou empresas como CVC Corp, GJP Hotels & Resorts e Webjet, defendeu maior continuidade nas políticas nacionais de turismo.
Segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) apresentados por ele, o setor respondeu por 7,7% do PIB brasileiro em 2025, percentual inferior à média mundial, próxima de 10%.
Godinho apresentou uma proposta própria de planejamento para dez anos, com investimentos de R$ 217 bilhões em infraestrutura, segurança, aeroportos, conectividade aérea e promoção internacional.
A meta sugerida pelo executivo é elevar a participação do turismo no PIB brasileiro para 13% e alcançar 22 milhões de visitantes estrangeiros em 2036.
A proposta não integra o plano anunciado pelo governo paulista, mas reforça a discussão sobre a importância do planejamento regional e dos investimentos para aumentar a competitividade turística do Brasil.

