Negócio inclui ativos, cana própria e contratos com fornecedores; comprador amplia capacidade de moagem e número de colaboradores.
Anderson Viegas

A Raízen S.A. anunciou nesta sexta-feira (29) a venda de duas usinas localizadas em Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, para a Cocal Agroindústria S.A. O valor da operação foi estimado em R$ 1,543 bilhão e engloba os ativos industriais das unidades Rio Brilhante e Passa Tempo, com capacidade instalada de aproximadamente 6 milhões de toneladas de cana por safra, além da cessão da cana própria e dos contratos com fornecedores vinculados às plantas.
Segundo a companhia, cerca de R$ 1,325 bilhão correspondem aos ativos e R$ 218 milhões aos investimentos já realizados em manutenção de entressafra neste ano, que serão assumidos integralmente pela compradora. O pagamento será feito à vista, na conclusão da transação, que ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento das demais condições previstas em contrato.
A Raízen afirmou que a venda faz parte de sua estratégia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e busca de eficiência, com foco no aumento da rentabilidade. Após a conclusão da transação e das demais já anunciadas, a empresa passará a operar 25 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra.
Já a Cocal informou que, com a aquisição, sua capacidade produtiva subirá de 10,3 milhões para 16,3 milhões de toneladas por safra. O quadro de colaboradores diretos também será ampliado, passando de 5,3 mil para 7,7 mil profissionais. A empresa destacou que a incorporação das unidades de Rio Brilhante e Passa Tempo reforça o compromisso com eficiência produtiva, tecnologia de ponta e desenvolvimento de pessoas, além de consolidar sua presença estratégica no Mato Grosso do Sul.
Atualmente, as operações da Cocal estão concentradas em Paraguaçu Paulista e Narandiba, no oeste de São Paulo, com foco na produção de açúcar, etanol, energia elétrica, biometano, CO2 verde e levedura seca. Segundo a administração da empresa, a expansão permitirá resultados ainda mais expressivos, mantendo o compromisso com colaboradores, parceiros e fornecedores.
Crise
A venda das usinas da Raízen em Rio Brilhante ocorre pouco mais de um mês após a companhia negar oficialmente ao Made in MS qualquer plano de hibernação ou fechamento das três unidades que possuia em Mato Grosso do Sul: Rio Brilhante e Passa Tempo, em Rio Brilhante, e Caarapó, no município de mesmo nome.
Na ocasião, a empresa afirmou que todas seguiam operando normalmente e atribuiu a circulação de informações sobre o encerramento das unidades a “rumores falsos e mal-intencionados” que surgiram após o anúncio da paralisação da usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP).
O posicionamento foi reforçado dias depois a uma comissão de vereadores de Rio Brilhante que cobrou esclarecimentos sobre os boatos. A companhia ressaltou que todas as decisões estratégicas são formalizadas apenas por meio de comunicados oficiais ao mercado.
A medida de suspender as atividades da Santa Elisa fez parte de um pacote de ajustes para otimizar o portfólio de ativos, reduzir investimentos considerados não estratégicos e enfrentar um cenário financeiro delicado. No ano-safra 2024/2025, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 4,2 bilhões e manteve uma alavancagem de 3,2 vezes o Ebitda, impactada por fatores como clima adverso, queimadas, despesas financeiras elevadas e provisões tributárias.
Antes da decisão em Sertãozinho, a companhia já havia vendido a usina de Leme, em São Paulo, por R$ 425 milhões, dentro de um processo de desinvestimento para geração de caixa e redução da dívida.
Nota da Raízen
“A Raízen S.A. (B3: RAIZ4) (“Raízen” ou “Companhia”), em conjunto com sua controlada Raízen Energia S.A. (“Raízen Energia”), comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que celebrou contrato para a venda de duas usinas – Rio Brilhante e Passa Tempo, ambas localizadas no município de Rio Brilhante (MS) e com capacidade instalada de aproximadamente 6 milhões de toneladas por safra – bem como a cessão da cana própria e dos contratos com fornecedores vinculados a essas unidades (“Operação”), para a Cocal Agroindústria S.A (“Comprador”).
O montante total desta Operação é estimado em R$ 1.543.000.000,00 (um bilhão, quinhentos e quarenta e três milhões de reais), composto por: (i) aproximadamente R$ 1.325.000.000,00 (um bilhão e trezentos e vinte e cinco milhões de reais), referente aos ativos; e (ii) cerca de R$ 218.000.000,00 (duzentos e dezoito milhões de reais), correspondentes aos investimentos em manutenção de entressafra deste ano, que serão integralmente assumidos pelo Comprador. O pagamento será realizado à vista na conclusão da Operação, sujeito a eventuais ajustes usuais para negócios desta natureza.
Essa transação está alinhada à estratégia da Companhia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial. Após a conclusão desta Operação e das demais já anunciadas, a Raízen passará a operar um portfólio de 25 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra.
A conclusão da Operação está sujeita à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE, bem como ao cumprimento das demais condições precedentes estabelecidas nos contratos. A Companhia manterá o mercado oportunamente informado sobre eventuais desdobramentos relevantes relacionados ao tema.
São Paulo, 29 de agosto de 2025
Rafael Bergman
CFO e Diretor de Relações com Investidores”
Nota da Cocal
“A Cocal informa, na data de hoje, 29/08/2025, a aquisição das unidades de Rio Brilhante e Passa Tempo da Raízen, localizadas no Mato Grosso do Sul.A nova operação abrange a incorporação de uma capacidade instalada de 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. A conclusão da operação está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e ao cumprimento das condições previstas em contrato.
Com essa aquisição, a capacidade produtiva da Cocal passa de 10,3 milhões para 16,3 milhões de toneladas por safra. O quadro de colaboradores diretos será expandido, saltando de 5,3 mil para 7,7 mil profissionais. Esses números refletem a importância estratégica da operação e reforçam nosso compromisso com a eficiência produtiva, a utilização de tecnologia de ponta e o desenvolvimento de pessoas.
Atualmente, as operações da Cocal estão focadas na produção de cana-de-açúcar, açúcar, etanol, energia elétrica, biometano, CO2 verde e levedura seca nas unidades de Paraguaçu Paulista e Narandiba, no oeste do estado de São Paulo. Com a expansão proporcionada por esta aquisição no estado do Mato Grosso do Sul, manteremos o nosso compromisso com colaboradores, parceiros, arrendatários e fornecedores, buscando resultados ainda mais expressivos para todos.
A Cocal atua há 45 anos no setor bioenergético e, como associada da Copersucar, um ecossistema de negócios único e inovador, que conecta usinas associadas, parceiros estratégicos e empresas investidas, essa estratégia atual reforça nossa posição entre as principais empresas produtoras de energia limpa e renovável do Brasil, reafirmando o nosso compromisso com a descarbonização da matriz energética e com o desenvolvimento das regiões onde atuamos.
Seguindo esse mesmo propósito, continuaremos a impulsionar o crescimento do setor bioenergético, gerando valor para os nossos colaboradores, para a economia, o meio ambiente e a sociedade.
Administração Cocal”