02/02/2026 18:07

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Nova plataforma da Embrapa integra dados sanitários e reforça vigilância de doenças suínas no Brasil

Ferramenta reúne informações de granjas e laboratórios de todo o País para apoiar decisões, ampliar biosseguridade e fortalecer o conceito de Saúde Única na suinocultura.

Da Redação

Plataforma CISS integra dados sanitários de granjas de todo o País para fortalecer a vigilância epidemiológica na suinocultura brasileira. (Foto: Divulgação).

A Embrapa Suínos e Aves, de santa catarina, disponibilizou nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar a biosseguridade e contribuir para o controle de doenças na suinocultura brasileira.

Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), a ferramenta reúne informações padronizadas que geram indicadores epidemiológicos para ações mais efetivas de prevenção, manejo sanitário e sustentabilidade da cadeia produtiva.

A iniciativa surge em um cenário de elevada relevância da suinocultura no Brasil, setor reconhecido por altos padrões sanitários, produtividade e presença no mercado internacional. Santa catarina, onde está localizada a unidade da Embrapa responsável pelo projeto, lidera a produção e exportação nacional de carne suína e registrou, em 2024, um recorde histórico de 17,97 milhões de suínos abatidos, reforçando a importância do monitoramento contínuo da saúde dos rebanhos.

Segundo a pesquisadora da Embrapa e líder da pesquisa, Janice Zanella, a manutenção da sanidade animal é essencial para a competitividade do País no mercado global. “Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, manter a saúde dos rebanhos é essencial”, afirma. Ela destaca que o uso de análises preditivas e retrospectivas a partir de dados consolidados torna a CISS um instrumento inovador para antecipar riscos sanitários e embasar estratégias de controle.

Entre os principais desafios enfrentados pelo setor estão as Doenças do Complexo Respiratório Suíno (PRDC), que provocam perdas econômicas significativas, aumento da mortalidade e maior uso de antibióticos. A plataforma consolida resultados de exames laboratoriais, como testes de PCR e análises patológicas, formando um banco de dados amplo sobre agentes como o vírus da influenza suína, o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRSV), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2) e o Mycoplasma hyopneumoniae.

Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS permite acompanhar tendências sanitárias por faixa etária, estados, tipo de amostra e sistema de produção. Um dos pilares da plataforma é a padronização dos diagnósticos por meio de códigos internacionalmente reconhecidos, como LOINC e SNOMED CT, o que facilita o intercâmbio de informações entre laboratórios e países.

A CISS também materializa o conceito de Saúde Única, ao integrar sanidade animal, saúde humana e proteção ambiental. “Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca Zanella. O monitoramento de agentes zoonóticos visa identificar precocemente patógenos com potencial pandêmico e orientar medidas de prevenção para proteger a saúde pública.

Resultados preliminares do projeto-piloto apontaram sazonalidade da pneumonia enzoótica suína. Entre outubro de 2019 e dezembro de 2025, foram analisadas 253.674 amostras para PCR de Mycoplasma hyopneumoniae, com picos de positividade observados no primeiro semestre de 2022, quando, em maio, 38% dos registros foram positivos. Os estados com maior volume de amostras foram Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Para os próximos anos, a Embrapa pretende ampliar o monitoramento para outros agentes sanitários, incorporar novos laboratórios parceiros e disponibilizar relatórios mensais ao setor. O uso de inteligência artificial, big data e sequenciamento genômico também está no planejamento para aprimorar a previsão de surtos e acelerar respostas sanitárias.

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