28/02/2026 19:05

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Na Capital, Jerry Espíndola celebra 43 anos de carreira com “40 Tons” no Teatro Prosa com casa lotada

(Divulgação)

O Teatro Prosa, no Sesc Horto, ficou pequeno na noite de quinta-feira (26), com casa cheia, público diverso, gerações misturadas e uma plateia que, embora sentada, se deixou levar pela batida da música. Era visível: os corpos buscavam movimento, pés, mãos e vozes marcavam o ritmo e, a cada refrão, a formalidade da cadeira dava lugar à vontade de dançar. Assim foi a noite de celebração dos 43 anos de carreira de Jerry Espíndola, com o show de lançamento do álbum “40 Tons”.

E a comemoração não termina no palco. Desde a meia-noite de quinta (26) para sexta-feira (27), o novo álbum já está disponível pela Orum Sounds (@orumsounds), para o público conferir nas plataformas digitais (Spotify, Youtube, Tidal e Amazon Music).

No palco, Jerry fez questão de anunciar que “À meia-noite o disco já entra no ar, na Orum Sounds. ‘40 Tons’ está disponível pra todo mundo ouvir, compartilhar e viver essas músicas. Esse show é só o começo dessa nova fase”.

O repertório trouxe as canções inéditas do novo trabalho, além de momentos que revisitam a trajetória do artista — como a emblemática “Beijo de Ímã” (Composição de Alzira E, Arruda, Jerry Espíndola e Ney Matogrosso), imortalizada na voz do próprio Ney e lembrada por Jerry “como um dos marcos afetivos da minha caminhada”.

As músicas do EP e do álbum comemorativo embalaram o público. Mesmo acomodada em poltrona, a plateia não permanecia estáticas por muito tempo. A vibração coletiva transformou o teatro em pista simbólica: havia dança contida, palmas no contratempo e vozes que atravessavam o espaço cênico.

Entre os presentes, a servidora pública Rogéria Fonseca, fã de longa data, se emocionou ao falar sobre o reencontro com o artista. “Que saudade dele. Há um tempo que não via um show dele, ainda mais sendo o lançamento de um trabalho novo. Eu acompanho desde o começo. Eu ainda tenho CD em casa. Claro que hoje a gente ouve nas plataformas, mas é diferente. Eu adorei as músicas novas, achei o trabalho muito bonito. E vou conferir nas plataformas, sim. Toda velha guarda vai estar lá ouvindo, mas, eu queria um disco”, brinca.

Referência para quem chega – A noite também foi marcada pelo diálogo entre gerações. Jerry mantém uma característica constante: além de compor, cantar e experimentar sonoridades, ele tem o olhar sensível para os novos talentos, criando pontes e abrindo espaço para vozes mais jovens.

Do duo Vozmecê, o cantor Pedro Fattori destacou essa importância. “Eu já estava ansioso pra ouvir as músicas novas ao vivo. Tive alguns spoilers antes do disco sair e achei incrível. Tem uma com a Tetê, sobre o lixo no oceano, com uma pegada ecológica muito forte. O Jerry transforma o cenário da polca paraguaia, da guarânia, mistura com rock, com sintetizado. É sempre inovador. Pra gente que é músico aqui, ele é referência principal. Ele, Tetê, Geraldo, Alzira estão entre os artistas que são a base do nosso trabalho”.

Com participações especiais na noite, três jovens talentos subiram no palco – Ana Lua, Raphael Vital e Ruschel. Em momentos distintos, os artistas estiveram ao lado de Jerry para celebrar o encontro e a força do projeto, reforçando o caráter colaborativo que marca “40 Tons”.

“Eu tenho cerca de seis anos de carreira e comecei na música pop. Quando o Jerry me chamou pra cantar, senti que era um momento importante. Ter uma música com ele na minha história é um orgulho enorme. Ele mantém as origens, mas faz conexões com outras gerações. Isso deixa a obra dele viva e abre caminhos para quem tá chegando”, afirma o cantor Ruschel.

Ruschel ainda destacou que essa capacidade de renovação ajuda a explicar o teatro lotado. “Ele não ficou parado no passado. Continua inovando, buscando parcerias, se atualizando. Por isso sempre vai lotar. É um artista completo”.

(Divulgação)

Paisagens que atravessam fronteiras – No discurso e na música, Jerry entrelaça geografias afetivas. As paisagens transfronteiriças do Centro-Oeste e suas adjacências aparecem como referências de estrada, encontros e travessias, dialogando com a sonoridade fronteiriça que marca sua identidade sul-mato-grossense. O resultado é uma música que nasce entre cerrado e pantanal, mas ecoa em outras montanhas, mares e capitais.

Ao revisitar a própria trajetória, ele reforçou no palco. “Nunca vai mudar o prazer e a vontade de fazer música. Enquanto eu tiver essa inquietação, vou continuar compondo, chamando parceiros, misturando sons”.

E ao final do show, Jerry ainda encontrou momento para pontuar a importância de políticas públicas que viabilizam encontros e projetos como “40 Tons”.

O projeto é executado com recursos da Lei Paulo Gustavo, via MinC – Ministério da Cultura, do Governo Federal, por meio de edital da FCMS – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Setesc e Governo do Estado.

Em tempos de debate sobre políticas públicas, a noite no Teatro Prosa, do Sesc Horto, reafirmou o óbvio necessário que “investir em cultura é investir em memória, inovação e futuro”, pontua Jerry.

E a partir da meia-noite, o que foi visto no palco se transformou em streaming. Embora, a energia de uma casa cheia, de pessoas dançando sentadas, fica como prova de que 43 anos depois, Jerry Espíndola segue em movimento — e levando muita gente junto. Outras informações pelo Instagram (@jerryespindola e @orumsounds).

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