02/02/2026 21:47

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Jovem de 19 anos é o primeiro paciente a receber tratamento experimental para lesões medulares graves em MS 

A técnica utiliza a polilaminina, uma proteína ainda em fase de testes, autorizada pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, com potencial para estimular novas conexões nervosas na medula espinhal.

Da Redação

O Hospital Militar de Área de Campo Grande realizou, na manhã desta quarta-feira (21), o primeiro procedimento médico com uso de polilaminina em Mato Grosso do Sul, marcando um avanço inédito na aplicação da substância em ambiente hospitalar no estado. A intervenção foi feita em um paciente de 19 anos, militar, com tetraplegia decorrente de lesão medular cervical causada acidentalmente fora do ambiente de trabalho, e foi considerada um sucesso pela equipe médica. Veja mais detalhes no vídeo acima!

A polilaminina é uma proteína derivada da placenta humana, ainda em fase de testes, com autorização do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A expectativa é que, quando aplicada diretamente no local da lesão, a substância estimule os nervos a criar novas conexões, favorecendo a recuperação parcial de movimentos. A pesquisa busca avaliar a segurança do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.

Os estudos são conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o laboratório Cristália, e já apresentaram resultados considerados promissores na recuperação motora de pacientes. A empresa patrocinadora é responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos voluntários envolvidos nos testes.

Em 2023, o estudo clínico de fase 1 do projeto “Uso de células-tronco mesenquimais, hematopoéticas e neurais na regeneração de lesões raquimedulares induzidas por laminina ácida” obteve aprovação ética do Ministério da Saúde. No dia 5 de janeiro, o ministério e a Anvisa anunciaram oficialmente o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo, restrito a voluntários com lesões medulares completas e agudas.

O procedimento em Campo Grande foi comandado pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, com apoio de equipe médica do Hospital Militar de Área de Campo Grande. A aplicação utilizou um aparelho de radioscopia para orientar, por meio de raio-x, a introdução da agulha na região lesionada, permitindo a infusão direta da proteína no tecido medular. Trata-se de um procedimento pouco invasivo, porém delicado, que exige alto grau de precisão técnica.

Equipe médica realiza aplicação inédita de polilaminina no Hospital Militar de Área de Campo Grande, marcando avanço no tratamento experimental de lesões medulares no estado. (Foto: Exército Brasileiro/Divulgação).

Após a intervenção, o paciente permaneceu sob cuidados do hospital militar e recebeu alta no dia 22 de janeiro, apresentando bom quadro de saúde. Ele segue em acompanhamento domiciliar, com fisioterapia realizada por equipe multidisciplinar, e continuará sendo monitorado pela equipe local, sob supervisão dos médicos-pesquisadores do Rio de Janeiro. A partir de agora, o processo depende do tempo de recuperação do tecido medular com o auxílio da polilaminina.

O caso em Mato Grosso do Sul se soma ao histórico da substância, cujo uso terapêutico começou a ser estudado há cerca de 25 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2018, um estudo piloto em humanos ganhou repercussão com o caso do bancário Bruno Drummond de Freitas, que após sofrer grave acidente de carro e ficar tetraplégico, participou da pesquisa e apresentou recuperação significativa de movimentos, chegando a voltar a andar. “Se não fosse essa pesquisa, eu estaria em uma cadeira de rodas, sem perspectiva de futuro”, relatou à época, em entrevistas.

O procedimento realizado no Hospital Militar de Área de Campo Grande reforça a atuação do Exército Brasileiro no fortalecimento de seu sistema de saúde, ampliando o acesso a tratamentos inovadores e garantindo assistência médica de qualidade a militares e seus familiares em situações de alta complexidade.

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