19/01/2026 12:20

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Janeiro Branco: ‘Quando o corpo grita o que a mente silencia’

O corpo dói, mas os exames não explicam. A dor de cabeça não passa, as costas estão sempre tensas, a garganta arde, o estômago reclama. Depois de várias consultas, o diagnóstico é o mesmo: “está tudo normal”. Situações como essas se repetem nos consultórios e apontam para um fator muitas vezes ignorado: o impacto das emoções sobre o corpo.

psiquiatra Eduardo Araújo, especialista em saúde da mente humana

Segundo o psiquiatra Eduardo Araújo, especialista em saúde da mente humana, dores sem causa orgânica definida muitas vezes são a forma que o corpo encontra para expressar emoções reprimidas, estresse crônico, ansiedade e tristeza profunda.

“O corpo fala aquilo que a mente tenta esconder. Quando emoções não são reconhecidas ou elaboradas, elas encontram uma via de escape física. É comum que o sofrimento emocional se manifeste como dor”, explica o médico.

De acordo com o especialista, a sobrecarga emocional altera o equilíbrio hormonal e afeta diretamente sistemas essenciais do organismo, como o imunológico, o digestivo e o cardiovascular.

“A pessoa segura a raiva, ignora a ansiedade, normaliza o cansaço extremo. Com o tempo, isso desregula o funcionamento do corpo. Não é exagero dizer que muitas dores físicas são memórias emocionais não cuidadas”, afirma o médico.

Janeiro Branco e a urgência do cuidado emocional

A relação entre mente e corpo ganha ainda mais destaque em janeiro, mês da campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e do bem-estar emocional. Os números ajudam a dimensionar o problema.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade: quase 10% da população sofre de ansiedade patológica. Já um relatório internacional de 2024 sobre saúde mental coloca o país na quarta posição entre os mais estressados do mundo.

Para o psiquiatra, esse cenário é reflexo direto do estilo de vida contemporâneo. “Vivemos sob autocobrança constante, com a sensação de que precisamos produzir, dar conta de tudo e ainda parecer bem. Soma-se a isso o sedentarismo, a alimentação rica em açúcar e gordura, o uso excessivo das redes sociais e o abuso de substâncias. O corpo acaba pagando essa conta”, avalia.

Emoções que mais se transformam em dor (OPCIONAL)
Algumas emoções estão diretamente associadas a sintomas físicos recorrentes:
• Ansiedade: aceleração dos batimentos cardíacos, respiração curta, enxaquecas e dor no peito
• Raiva reprimida: tensão nos ombros, rigidez na mandíbula e dores cervicais
• Tristeza profunda: fadiga constante, sensação de peso no corpo e falta de energia

“Nem toda dor é psicológica, mas toda dor merece ser escutada. Quando não encontramos explicação clínica, precisamos olhar para o contexto emocional daquele paciente”, reforça o médico.

Como cuidar da saúde emocional e aliviar as dores do corpo
O primeiro passo, segundo o especialista, é reconhecer os sinais e buscar ajuda profissional. “Dar nome ao que se sente é fundamental para interromper o ciclo da dor”, diz Araújo. Algumas práticas podem ajudar no cuidado emocional e na prevenção dos sintomas físicos:
• Investir em autoconhecimento
• Estabelecer limites na rotina pessoal e profissional
• Cuidar do sono, da alimentação e do descanso
• Falar sobre sentimentos, sem minimizar o sofrimento
• Praticar atividade física regularmente

“Cuidar da saúde mental não é luxo, é necessidade. Muitas dores físicas diminuem quando a pessoa aprende a escutar e respeitar os próprios limites emocionais”, conclui o psiquiatra.

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