Indicador chega a 109,2 pontos em fevereiro e permanece na zona de satisfação, impulsionado principalmente por lares com renda acima de 10 salários mínimos.
Da Redação

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 109,2 pontos em fevereiro de 2026, em Campo Grande, registrando alta de 2% em relação a janeiro e atingindo o maior patamar desde abril de 2025. O índice, apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), permanece na zona de satisfação, acima dos 100 pontos.
O avanço foi novamente puxado pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, que atingiram 122,6 pontos. Entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o indicador ficou em 106,5 pontos.
O recorte por renda evidencia diferenças nas condições do mercado de trabalho. Entre os lares com ganhos acima de 10 salários mínimos, 64,3% afirmam se sentir mais seguros em relação ao emprego do que há um ano. Já nas famílias de menor renda, esse percentual é de 49,9%. O desemprego atinge 9,1% dos lares com renda de até 10 salários mínimos, frente a 2% entre os de maior renda.
Na avaliação da renda atual, 45,9% das famílias de maior renda consideram que a situação melhorou em comparação com o ano passado. Entre as de menor renda, 35,1% compartilham dessa percepção. A avaliação negativa alcança 18,9% das famílias que recebem até 10 salários mínimos, ante 11,2% entre as de maior rendimento.
O acesso ao crédito permanece como um dos principais fatores de desigualdade. Entre os lares com renda superior a 10 salários mínimos, 23,5% avaliam que está mais fácil obter crédito, enquanto apenas 16% das famílias de menor renda têm essa percepção. Por outro lado, 28,7% dos consumidores que recebem até 10 salários mínimos apontam maior dificuldade no acesso, mais que o dobro do registrado entre os de maior renda, de 13,3%.
O consumo efetivo também avança de forma mais intensa entre as famílias de maior renda. Nesse grupo, 28,6% afirmam estar comprando mais do que no ano passado. Entre os lares de menor renda, o percentual é de 20,5%. Já a redução no volume de compras atinge 32,7% das famílias com renda de até 10 salários mínimos, frente a 23,5% entre as de maior renda.
Para os próximos meses, 35,7% das famílias com renda superior a 10 salários mínimos acreditam que o consumo será maior do que no ano passado. Entre as de menor renda, 28,3% projetam aumento, enquanto 28,9% ainda esperam redução.
A intenção de compra de bens duráveis também apresenta avanço e se aproxima do equilíbrio entre avaliações positivas e negativas. Metade das famílias de maior renda considera que este é um bom momento para a aquisição desses produtos, percentual superior aos 41,4% observados entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos.
“O resultado confirma que o consumo reage primeiro entre as famílias de maior renda, que têm maior estabilidade no emprego, renda mais favorável e melhores condições de acesso ao crédito. Para as famílias de menor renda, a recuperação é mais gradual e ainda depende da melhora das condições financeiras e da redução das restrições no orçamento”, analisa a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira.





