As exportações de Mato Grosso do Sul superaram US$ 9,2 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, com crescimento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2025. Em nove meses, o Estado acrescentou pouco mais de US$ 1 bilhão à receita obtida com as vendas ao exterior.
Dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as exportações sul-mato-grossenses passaram de US$ 8,19 bilhões, entre janeiro e setembro de 2025, para US$ 9,22 bilhões no mesmo intervalo de 2026. O incremento foi de aproximadamente US$ 1,03 bilhão.
O avanço da receita foi superior ao crescimento da quantidade embarcada. Em volume, as exportações passaram de 22,45 bilhões de quilos para 24,23 bilhões de quilos, aumento de 7,9%.
Isso significa que Mato Grosso do Sul não apenas enviou mais produtos ao exterior. O valor médio da pauta exportadora também aumentou. Considerando o conjunto dos embarques, passou de aproximadamente US$ 0,365 por quilo para US$ 0,381 por quilo, alta de 4,2%.
Por trás do resultado positivo, porém, há movimentos bastante diferentes entre os principais produtos vendidos pelo Estado. Enquanto soja e carne bovina ampliaram significativamente a receita, açúcar, minério de ferro e milho registraram fortes quedas.
Soja e carne puxam crescimento
A soja foi a principal responsável pelo incremento das exportações. A receita com o grão passou de US$ 2,10 bilhões para US$ 2,87 bilhões, crescimento de 36,6%.
Na prática, somente a soja acrescentou cerca de US$ 768,5 milhões às exportações sul-mato-grossenses nos primeiros nove meses deste ano.
A carne bovina também teve peso importante. As vendas externas de carne bovina congelada e desossada aumentaram de US$ 966 milhões para US$ 1,26 bilhão, avanço de 30,8% e incremento de aproximadamente US$ 298 milhões.
Neste caso, parte expressiva do crescimento veio da valorização do produto. Enquanto a receita avançou 30,8%, a quantidade exportada aumentou 11,3%. O valor médio por quilo ficou cerca de 17,6% maior.
A carne bovina fresca ou refrigerada desossada também ampliou a receita, de US$ 328,7 milhões para US$ 371,2 milhões, crescimento de 13%.
O movimento chama atenção porque ocorreu mesmo com redução de 1,5% na quantidade embarcada. O valor médio por quilo aumentou aproximadamente 14,7%.
Outro destaque foi o óleo de soja bruto. As exportações saltaram de US$ 48,9 milhões para US$ 157,1 milhões, crescimento de 221,7%.
Também avançaram as vendas externas de resíduos da extração do óleo de soja, de US$ 181,5 milhões para US$ 271,9 milhões, alta de 49,8%.
Açúcar perde quase US$ 290 milhões
O desempenho positivo da pauta ocorreu apesar de quedas expressivas em alguns dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul.
A maior delas, em valores absolutos entre os produtos de destaque, ocorreu com o açúcar de cana. A receita caiu de US$ 542,8 milhões para US$ 254 milhões, redução de 53,2%.
Em apenas um ano, foram aproximadamente US$ 288,8 milhões a menos em exportações.
O minério de ferro também registrou forte retração. As vendas passaram de US$ 324,7 milhões para US$ 178,3 milhões, queda de 45,1% e perda de aproximadamente US$ 146,5 milhões em receita.
Nesse caso, há uma particularidade: a quantidade exportada cresceu 14,9%, mas a receita despencou. O valor médio por quilo ficou cerca de 52% menor.
O milho completa o grupo das principais retrações. As exportações caíram de US$ 260,2 milhões para US$ 168,1 milhões, redução de 35,4%, equivalente a aproximadamente US$ 92,1 milhões.
Mesmo com essas perdas, o forte desempenho de outros produtos fez a balança pender para o crescimento.
China compra quase metade de tudo que MS exporta
A China permanece como principal mercado dos produtos sul-mato-grossenses e ampliou ainda mais as compras neste ano.
As exportações para o país asiático passaram de US$ 3,77 bilhões para US$ 4,27 bilhões, crescimento de 13,2%. Foram aproximadamente US$ 498 milhões adicionais em negócios com o mercado chinês.
Com isso, a China respondeu por 46,3% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul entre janeiro e setembro. Na prática, de cada US$ 100 obtidos pelo Estado com vendas internacionais, cerca de US$ 46 vieram do mercado chinês.
Os Estados Unidos aparecem como segundo principal destino e também registraram forte crescimento. As compras de produtos sul-mato-grossenses passaram de US$ 426,2 milhões para US$ 595,4 milhões, alta de 39,7%.
Os Países Baixos tiveram avanço ainda maior, de 59%, passando de US$ 279,2 milhões para US$ 443,8 milhões.
Índia, Vietnã e Irã ganham espaço
Além dos grandes compradores tradicionais, outros mercados apresentaram crescimento expressivo.
As exportações para a Índia passaram de US$ 97,4 milhões para US$ 178,2 milhões, alta de 82,9%. Para o Irã, cresceram 76,7%, de US$ 111,5 milhões para US$ 197,1 milhões.
O Vietnã aumentou as compras em 61,5%, de US$ 114 milhões para US$ 184,2 milhões.
Em termos percentuais, um dos maiores avanços ocorreu no Paquistão. As vendas saltaram de US$ 34,2 milhões para US$ 135,5 milhões, crescimento de 295,9%. O país praticamente quadruplicou suas compras de Mato Grosso do Sul.
Na direção contrária aparecem mercados importantes da América do Sul. As exportações para o Uruguai recuaram 49,5%, de US$ 256,4 milhões para US$ 129,4 milhões. Para a Argentina, a queda foi de 29,4%, de US$ 277 milhões para US$ 195,5 milhões.
Também houve retrações expressivas nas vendas para Argélia, de 57,7%, Malásia, de 66,7%, e México, de 27,5%.
O resultado dos primeiros nove meses mostra, portanto, uma pauta com movimentos distintos. Mato Grosso do Sul conseguiu ampliar em mais de US$ 1 bilhão sua receita com exportações mesmo diante da retração de produtos importantes, sustentado principalmente pelo avanço da soja, da carne bovina e pelo aumento das compras de alguns dos principais mercados internacionais.

