21/07/2026 07:39

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Evento reúne especialistas para discutir os novos desafios da pecuária em MS

Benchmarking do Grupo Aliança destacou gestão, mercado e pessoas como pilares da competitividade no campo.

Anderson Viegas

Médico-veterinário Rodrigo Fialho (Foto: Grupo Aliança/Divulgação)

Planejamento financeiro, gestão de pessoas e inteligência de mercado ganharam espaço ao lado da genética, da nutrição e da sanidade animal durante o Benchmarking da Estação de Monta 2025/2026, promovido na sexta-feira (17), em Campo Grande, pelo Grupo Aliança Assessoria e Consultoria Pecuária. O evento reuniu produtores rurais, consultores e especialistas para discutir como a pecuária brasileira pode manter a competitividade diante da redução das margens, da intensificação dos sistemas produtivos e das mudanças no mercado internacional.

Na abertura do encontro, o médico-veterinário Rodrigo Fialho destacou que a expansão da soja, das florestas plantadas, da citricultura e do etanol de milho tem reduzido a disponibilidade de áreas para pastagens em Mato Grosso do Sul, tornando a intensificação da pecuária praticamente inevitável.

Segundo ele, produzir mais por hectare aumenta também o nível de risco da atividade, exigindo que o pecuarista acompanhe indicadores econômicos com o mesmo rigor dedicado aos índices zootécnicos. “O produtor precisa entender quanto custa produzir sua arroba, planejar compras, vendas e fluxo de caixa. Hoje isso faz tanta diferença quanto produzir bem”, afirmou.

Rodrigo também ressaltou que sistemas como semiconfinamento e confinamento devem ganhar espaço no Estado, mas alertou que a decisão depende principalmente do comportamento dos custos, especialmente do milho, principal insumo da alimentação animal. Para ele, o confinamento deve ser utilizado somente depois de explorado o potencial produtivo das pastagens.

Mão de obra exige mudança de gestão

Já o psicólogo e consultor Aldo Aguilar Bianco defendeu que um dos principais gargalos do agronegócio não está na falta de trabalhadores, mas na forma como as pessoas são geridas dentro das propriedades.

Segundo ele, fazendas que investem em liderança, treinamento, respeito e desenvolvimento conseguem manter equipes estáveis por muitos anos, enquanto outras enfrentam elevada rotatividade. “O problema não é falta de gente. É falta de investimento em gestão de pessoas”, resumiu.

Bianco afirmou que o trabalhador permanece onde encontra acolhimento, reconhecimento e oportunidades de crescimento, defendendo que encarregados e gerentes sejam preparados para exercer uma liderança baseada em diálogo e empatia.

O consultor também abordou a sucessão familiar, propondo substituir o conceito tradicional de sucessão pela ideia de continuidade dos negócios, com formação de novos líderes e profissionalização da gestão das empresas rurais.

Mercado segue favorável, apesar das incertezas

Por sua vez, o pesquisador do Cepea/Esalq/USP Thiago Bernardino de Carvalho analisou o cenário da pecuária de corte e afirmou que a atual pressão sobre os preços da arroba decorre principalmente da redução temporária das compras chinesas dentro da atual cota de importação.

Na avaliação do economista, a tendência é que essa pressão permaneça até meados de setembro. Depois disso, a expectativa é de retomada gradual da demanda, impulsionada pelos embarques destinados à nova cota chinesa de 2027.

Apesar da volatilidade no curto prazo, Thiago avaliou que os fundamentos permanecem positivos para a carne bovina brasileira, diante da menor oferta mundial de bovinos e do aumento da demanda de mercados como Egito, Filipinas, Malásia e Indonésia.

Para ele, a competitividade da pecuária brasileira passa cada vez mais pela combinação entre produtividade, gestão financeira, comercialização e qualificação das equipes. “O Mato Grosso do Sul precisou subir a régua”, resumiu, ao destacar que o Estado vem aumentando a produção mesmo com menor disponibilidade de áreas para pastagens.

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