19/01/2026 09:11

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Endividamento cresce em Campo Grande e revela diferenças no perfil das dívidas por faixa de renda

Apesar do aumento das contas parceladas, cai o percentual de famílias com dívidas em atraso, aponta pesquisa da CNC.

Da Redação

Pesquisa aponta crescimento do endividamento das famílias em Campo Grande, com diferenças no perfil das dívidas conforme a faixa de renda. (Foto: Freepik).

Campo Grande encerrou 2025 com aumento no endividamento das famílias, considerando dívidas parceladas como cartão de crédito, carnês e financiamentos, conceito distinto da inadimplência, que se refere às contas em atraso. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS.

De acordo com o levantamento, 68,6% das famílias campo-grandenses estavam endividadas em dezembro de 2025, índice superior aos 65,0% registrados no mesmo período de 2024. O percentual reflete o aumento de compromissos assumidos ao longo do ano, como cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, prestações de veículos e seguros. Em números absolutos, o indicador corresponde a 226.248 famílias endividadas na capital.

Os indicadores de inadimplência, por sua vez, apresentaram comportamento distinto. O percentual de famílias com contas em atraso recuou de 30,3% para 29,4% na comparação anual. Em contrapartida, houve aumento na proporção de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas, que passou de 12,5% para 13,7% em dezembro de 2025, sinalizando maior pressão financeira sobre parte dos lares.

A pesquisa também mostra que o perfil do endividamento varia conforme a renda familiar. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, há maior concentração de dívidas em carnês, modalidade associada ao consumo parcelado no varejo. Nesse grupo, 21,7% das famílias endividadas possuem dívidas nessa categoria, percentual superior ao observado entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, onde o índice é de 12,5%. O dado indica maior dependência do parcelamento direto no comércio, geralmente com custos embutidos mais elevados.

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento está mais ligado a financiamentos de maior valor, especialmente de veículos. Nesse segmento, 19,6% possuem dívidas desse tipo, contra 9,1% entre as famílias de renda mais baixa, refletindo maior acesso ao sistema financeiro formal e a linhas de crédito de longo prazo.

O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de endividamento em todas as faixas de renda, com maior incidência entre as famílias de renda mais elevada. Entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, 69,6% utilizam o cartão como fonte de dívida, ante 65,9% no grupo com renda de até 10 salários mínimos, reforçando o papel central desse meio de pagamento no orçamento familiar.

Para a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, o recorte por renda ajuda a compreender desafios distintos. “As famílias de menor renda tendem a utilizar instrumentos de crédito mais imediatos, como carnês, enquanto as de maior renda acessam financiamentos estruturados. Isso exige políticas e estratégias de educação financeira adaptadas a cada realidade”, afirmou.

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