23/03/2026 17:18

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COP15 começa em Campo Grande com alerta global: quase metade das espécies migratórias está em declínio

Relatório aponta pressão crescente sobre animais e reforça urgência de ações internacionais de conservação

Da Redação

O tema da conferência, ‘Conectando a Natureza para Sustentar a Vida’, reforça a importância das espécies migratórias para o equilíbrio ambiental (Foto: Ueslei Marcelino/MMA).

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15) começou nesta segunda-feira (23), em Campo Grande, reunindo representantes de mais de 130 países diante de um cenário considerado crítico para a biodiversidade global. Dados divulgados às vésperas do evento mostram que 49% das espécies migratórias monitoradas apresentam queda populacional, e quase uma em cada quatro está ameaçada de extinção.

Realizado em Campo Grande, porta de entrada do Pantanal, a maior área úmida tropical do planeta, o evento foi estrategicamente sediado na região. De acordo com a organização, o local simboliza a interdependência dos ecossistemas e expõe, na prática, os desafios crescentes enfrentados pelo bioma, como seca, incêndios e mudanças no uso do solo.

A expectativa é de que mais de duas mil pessoas participem da conferência ao longo da semana, entre delegados, cientistas, representantes de povos indígenas, comunidades locais e organizações ambientais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a relevância do Brasil sediar o evento e o papel estratégico de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a proteção das espécies migratórias reforça a necessidade de cooperação entre países, já que esses animais atravessam fronteiras e dependem de ambientes preservados em diferentes territórios.

O tema da conferência, ‘Conectando a Natureza para Sustentar a Vida’, reforça a importância das espécies migratórias para o equilíbrio ambiental. Esses animais desempenham funções essenciais, como polinização, dispersão de sementes, controle de pragas e manutenção dos ciclos naturais.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a conservação das espécies migratórias representa um desafio global que exige respostas coordenadas diante das crises climática e ecológica.

Entre os principais fatores que ameaçam essas espécies estão a perda de habitat, a sobre-exploração, a poluição, as mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras. Esses impactos têm sido intensificados pela ação humana ao longo das últimas décadas.

A COP15 também deve discutir a inclusão de novas espécies sob proteção internacional, com propostas que envolvem animais como a coruja-das-neves, o tubarão-martelo e a hiena-listrada.

As negociações seguem ao longo da semana, com decisões previstas para o dia 29 de março. As resoluções devem orientar políticas de conservação e cooperação internacional nos próximos anos.

A realização do evento em Campo Grande coloca o Brasil no centro do debate global sobre biodiversidade e reforça a urgência de medidas para garantir a sobrevivência das espécies migratórias e a preservação dos ecossistemas.

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