Censo 2022 aponta mais de 29 mil pessoas com TEA no Estado e especialistas alertam para sinais nos primeiros anos de vida.
Anderson Viegas

Mato Grosso do Sul registra 29.088 pessoas com Transtorno do Espectro Autista, o equivalente a 1,1% da população residente, estimada em 2.757.013 habitantes, ou 1 em cada 91 moradores do estado. Os dados são do Censo 2022 do IBGE, organizados em painel pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul, que apresenta um panorama detalhado sobre o transtorno no Estado.
Apesar do avanço na identificação dos casos, especialistas apontam que o número pode ser ainda maior, devido à subnotificação e às dificuldades de acesso ao diagnóstico, especialmente fora dos grandes centros.
De acordo com o Ministério da Saúde, o TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos.
A terapeuta ocupacional Lilianthea Lopes Oliveira Viegas, especialista no atendimento de crianças e adolescentes com TEA e primeira profissional no Estado habilitada no Programa TEA TEEN, voltado ao desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e de comunicação de jovens autistas, destaca a importância do diagnóstico precoce.
“Esta quinta-feira, 2 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela ONU. Mas esse tema não deve ser lembrado apenas nesta data. Precisa ser tratado diariamente pelo poder público, pela sociedade, pelos profissionais de saúde e, principalmente, pelas famílias, que são as primeiras a identificar sinais e buscar ajuda”, afirmou.

Segundo a profissional, sinais relacionados à comunicação estão entre os primeiros indicativos do transtorno.
“Demora para falar, ausência de fala, não apontar para mostrar o que quer, pouco uso de gestos e comportamentos repetitivos são sinais importantes. Também podem ocorrer alterações sensoriais, como incômodo com sons e luzes ou busca intensa por estímulos, além de um brincar diferente do esperado”, explicou.
Ela reforça que a identificação precoce permite intervenções mais eficazes.
“O cérebro da criança está em uma fase de grande plasticidade. Com intervenções como terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, ABA e psicomotricidade, conseguimos estimular habilidades fundamentais, como comunicação, interação social e autonomia”, disse.
A especialista destaca ainda que o tratamento deve ser multidisciplinar e individualizado, respeitando as necessidades de cada paciente.
“Cada criança é única. O acompanhamento adequado traz avanços importantes na participação nas atividades do dia a dia, no brincar e na qualidade de vida da criança e da família”, pontuou.
Autismo em Mato Grosso do Sul
Dados do Censo tabulados pelo OCMS apontam que, no recorte por faixa etária, o maior número de diagnósticos está entre crianças de 5 a 9 anos, com 4.237 registros. Em seguida, aparecem as faixas de 10 a 14 anos (3.417 casos) e de 0 a 4 anos (3.408). Na sequência estão jovens de 15 a 19 anos (2.273) e de 20 a 24 anos (1.928).
Entre os sexos, os homens representam 60,69% dos casos, com 17.654 pessoas, enquanto as mulheres correspondem a 39,31%, com 11.435. A prevalência masculina predomina em praticamente todas as faixas etárias, com equilíbrio apenas entre 40 e 44 anos.
Em relação à cor ou raça, 46,4% das pessoas com TEA no Estado se declaram brancas, 44,4% pardas, 5,6% pretas, 2,6% indígenas e 1% amarelas.
O levantamento também aponta diferenças entre municípios. Corguinho apresenta a maior proporção, com 2% da população diagnosticada, seguido por Bela Vista, com 1,7%, Itaporã, com 1,6%, Cassilândia, com 1,5%, e Costa Rica, com 1,4%. Já os menores percentuais estão em Novo Horizonte do Sul, com 0,3%, e nos municípios de Rio Negro e Sete Quedas, ambos com 0,4%.
No cenário nacional, Mato Grosso do Sul apresenta taxa semelhante à de estados como Goiás, Mato Grosso, Amazonas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos com cerca de 1,1% de prevalência. Acre, com 1,6%, e Amapá, com 1,5%, registram os maiores índices proporcionais. Veja mais na tabela abaixo:





