Estado registra 296,3 mil admissões até agosto; serviços e construção lideram geração de postos, enquanto cadeias de etanol e celulose mostram comportamentos distintos.
Da Redação

Mato Grosso do Sul criou 20.456 empregos com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). No período, foram registradas 296.322 admissões e 275.866 desligamentos, enquanto o estoque chegou a 685.345 vínculos formais, crescimento de 3,08%.
A geração de empregos foi puxada pelos Serviços, que abriram 8.644 postos no acumulado do ano. A Construção aparece na sequência, com saldo de 7.392 vagas, seguida pela Indústria, com 2.536, e pela Agropecuária, com 2.216. O Comércio foi o único dos cinco grandes grupamentos com resultado negativo, com fechamento líquido de 332 postos.
Além do desempenho dos grandes setores, os dados detalhados do Novo Caged permitem observar o comportamento de atividades ligadas a duas cadeias que ganharam peso na economia sul-mato-grossense nos últimos anos: bioenergia e celulose. Os números mostram expansão do emprego na fabricação de álcool e nas atividades relacionadas às florestas plantadas, mas também redução de postos em segmentos específicos.
Bioenergia abre 950 postos no ano
No recorte da cadeia do etanol, considerando o cultivo de cana-de-açúcar e a fabricação de álcool, foram registradas 6.040 admissões e 5.090 desligamentos entre janeiro e agosto. O resultado foi um saldo positivo de 950 empregos formais.
A geração de vagas ficou concentrada na atividade industrial. A fabricação de álcool contabilizou 4.685 admissões e 3.582 desligamentos, resultando na abertura líquida de 1.103 postos de trabalho. Ao fim de agosto, a atividade reunia 14.016 vínculos formais, com crescimento de 8,54% no período.
No cultivo de cana-de-açúcar, o movimento foi inverso. Foram 1.355 admissões e 1.508 desligamentos, com saldo negativo de 153 postos. O estoque da atividade ficou em 4.636 empregos formais, retração de 3,19%.
Somadas, as duas atividades selecionadas reuniam 18.652 vínculos formais ao fim de agosto. Os números indicam que, nesse recorte da cadeia, a expansão do emprego ocorreu principalmente na fabricação de álcool, compensando a redução observada no cultivo da matéria-prima.
Cadeia florestal registra média de 35 contratações por dia
A cadeia florestal e de celulose também apresentou intensa movimentação no mercado de trabalho de Mato Grosso do Sul. Nas três atividades consideradas no levantamento, atividades de apoio à produção florestal, produção florestal em florestas plantadas e fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel, foram registradas 8.619 admissões entre janeiro e agosto, o equivalente a uma média de 35,5 contratações por dia nos 243 dias transcorridos até 31 de agosto.
O maior volume ocorreu na produção florestal em florestas plantadas, com 4.477 admissões, seguida pelas atividades de apoio à produção florestal, com 3.639. Na fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel, foram contabilizadas 503 contratações.
Considerados também os desligamentos, o conjunto das três atividades terminou agosto com saldo positivo de 206 empregos formais, resultado de 8.619 admissões e 8.413 desligamentos. Juntas, elas mantinham 22.619 vínculos formais no Estado.
O desempenho, entretanto, foi diferente entre as etapas da cadeia. A produção florestal em florestas plantadas abriu 375 postos líquidos, após 4.477 admissões e 4.102 desligamentos. Nas atividades de apoio à produção florestal, foram criadas outras 124 vagas, resultado de 3.639 contratações e 3.515 desligamentos.
Já na fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel, os desligamentos superaram as admissões. Foram 503 contratações e 796 desligamentos, deixando saldo negativo de 293 postos no acumulado do ano. A atividade terminou agosto com 5.732 vínculos formais.
Construção cresce quase 20%
Entre os cinco grandes grupamentos acompanhados pelo Novo Caged, a Construção apresentou a maior expansão proporcional do estoque de empregos em Mato Grosso do Sul. Com 7.392 novas vagas, o setor chegou a 45.080 vínculos e acumulou crescimento de 19,61%.
Serviços, além de liderar a geração líquida de postos, concentrava o maior número de trabalhadores formais, com 252.238 vínculos. O Comércio aparecia em seguida, com 152.262, apesar do saldo negativo no ano. A Indústria reunia 134.729 empregos e a Agropecuária, 101.036.
Os números mostram que a expansão do emprego formal em Mato Grosso do Sul ocorre em diferentes frentes da economia. Ao mesmo tempo, o detalhamento por atividade revela que o desempenho não é uniforme nem mesmo dentro de cadeias em expansão, como bioenergia e celulose, com diferenças entre a produção primária e a atividade industrial.




