Solo “Eu Vou Dançar Seu Ódio!” estreia nesta terça-feira (22), em Campo Grande e aborda homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares
Da Redação

Discursos de ódio recebidos nas redes sociais se transformam em corpo, movimento e voz no novo espetáculo do artista sul-mato-grossense André Tristão. O solo “Eu Vou Dançar Seu Ódio!” estreia nesta terça-feira (22), em Campo Grande, com duas apresentações gratuitas no Teatro Aracy Balabanian, às 15h e às 19h30.
Uma terceira sessão será realizada na sexta-feira (25), às 19h, no Sesc Teatro Prosa. O espetáculo tem classificação indicativa de 14 anos e contará com acessibilidade em Libras e audiodescrição.
Criada e interpretada por Tristão, a montagem reúne teatro, dança, performance, música e recursos audiovisuais para abordar experiências de violência vividas pelo artista, especialmente a partir de ataques recebidos nas redes sociais.
“Em cena abordo questões como homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares. Vivendo com HIV, indetectável há mais de dez anos, transformo parte dessa experiência em matéria cênica, articulando autoficção, memória, movimento, palavra, música e recursos audiovisuais”, afirma.
A proposta, segundo o artista, não é apenas reproduzir ou denunciar as agressões, mas investigar como essas experiências atravessam o corpo e podem ser transformadas por meio da criação artística. A pergunta que conduz o espetáculo é: como dançar o ódio até que ele vire outra coisa?
No palco, elementos como corpo, voz, microfone, repetição, música, projeções e iluminação são usados para deslocar as palavras do contexto em que foram produzidas para ferir.
“Ao longo do solo, aquilo que inicialmente se apresenta como violência é manipulado, amplificado, tensionado e devolvido ao espaço. O ódio deixa de ser apenas uma força paralisante e se converte em movimento, presença e possibilidade de encontro”, explica Tristão.
Pesquisa entre MS e São Paulo
“Eu Vou Dançar Seu Ódio!” é resultado de uma pesquisa desenvolvida entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. O processo começou a partir das experiências e inquietações de André Tristão e avançou com a construção dramatúrgica de Febraro de Oliveira.
A direção artística é de Rafaela Sahyoun, com direção de movimento de Jussara Miller. A equipe reúne ainda Dora de Andrade, Well Flora Ires Batista Rodrigues, Aline Santini, Yantó, Octávio Tavares e Helton Pérez.
Parte da pesquisa e dos ensaios em São Paulo foi realizada na Praça das Artes, com apoio da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.
O projeto foi contemplado pelo Edital FMIC/FOMTEATRO 2024, da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (Fundac) e da Prefeitura de Campo Grande, e conta com apoio do Centro Cultural José Octávio Guizzo e do Sesc MS.
Oficina gratuita
A programação também inclui a oficina “O que o corpo faz com o ódio? – Dispositivos de criação entre Teatro, Dança e Performance”, ministrada por André Tristão.
A atividade será realizada no sábado (26), no Centro Cultural José Octávio Guizzo, com duas turmas: das 9h às 13h e das 14h às 18h.
Com quatro horas de duração, a oficina trabalhará sensibilização corporal, jogos de atenção, improvisação e composição cênica, explorando as relações entre corpo, memória, espaço e criação.
A atividade é destinada a arte-educadores, professores, acadêmicos, artistas e demais interessados em práticas corporais e criação cênica. A classificação é de 18 anos e a participação é gratuita, mediante inscrição prévia.
Serviço
“Eu Vou Dançar Seu Ódio!”
Terça-feira (22)
Horários: 15h e 19h30
Local: Teatro Aracy Balabanian – Centro Cultural José Octávio Guizzo, Rua 26 de Agosto, 453, Centro
Entrada gratuita, com reserva pelo Sympla.
Sexta-feira (25)
Horário: 19h
Local: Sesc Teatro Prosa, Rua Anhanduí, 200, Centro
Entrada gratuita, com reserva pelo Sympla.
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: Libras e audiodescrição





