20/09/2026 06:17

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Diesel sobe quase 17% em Campo Grande no ano; etanol está mais barato

Preço médio do S10 passou de R$ 6,02 para R$ 7,04 por litro; gasolina acumula alta de 6,5%, enquanto etanol recua 4,3%.

Da Redação

Etanol na contramão: enquanto diesel e gasolina ficaram mais caros em Campo Grande, o preço médio do etanol hidratado caiu 4,27% em 2026, passando de R$ 3,98 para R$ 3,81 o litro. Dados são do levantamento semanal da ANP, consultado em 19 de setembro de 2026 (Foto: Pexels).

O preço médio do diesel S10 subiu quase 17% em Campo Grande desde o início de 2026, pressionando principalmente os custos de transporte de cargas e passageiros. No sentido contrário, o etanol hidratado ficou mais barato no período, enquanto a gasolina comum acumula alta de 6,5%.

Dados do Painel Dinâmico de Preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualizados em 18 de setembro, mostram que o litro do diesel S10 passou de R$ 6,02 na primeira pesquisa semanal do ano para R$ 7,04 na pesquisa mais recente disponível. A diferença é de R$ 1,02 por litro, equivalente a uma alta de 16,94%.

A gasolina comum passou de R$ 5,88 para R$ 6,26, aumento de R$ 0,38 ou 6,46%. Já o etanol hidratado seguiu caminho inverso: caiu de R$ 3,98 para R$ 3,81, redução de R$ 0,17 por litro ou 4,27%. Os cálculos consideram exclusivamente o preço médio semanal de revenda em Campo Grande, ou seja, o valor médio encontrado pela pesquisa da ANP nos postos, e não os preços de distribuição.

Guerra coincide com disparada do diesel

A trajetória semanal mostra que a maior mudança ocorreu depois do fim de fevereiro. Até o começo de março, o diesel S10 permanecia praticamente estável na casa dos R$ 6 por litro. Nas semanas seguintes, disparou e atingiu cerca de R$ 7,40 em abril, maior valor indicado no painel para o período analisado.

O movimento ocorreu após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. O conflito afetou o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde normalmente passa aproximadamente um quinto dos fluxos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. A Reuters informou que o tráfego de petroleiros pelo estreito chegou a cair 97% após o início do conflito, segundo dados das Nações Unidas.

O próprio Ministério de Minas e Energia relacionou a crise no Oriente Médio à volatilidade do petróleo. Segundo o órgão, a escalada das hostilidades desestabilizou o mercado global de energia, afetou rotas de escoamento e produção de petróleo e provocou forte volatilidade nas cotações internacionais.

O efeito chegou rapidamente ao mercado brasileiro. Em 9 de março, a Reuters já registrava forte distorção entre os preços domésticos e os valores de importação do diesel em razão da elevação das cotações internacionais provocada pelo conflito.

Petrobras reajustou diesel em março

Em 14 de março, a Petrobras elevou em R$ 0,38 por litro o preço do diesel A vendido às distribuidoras. Considerando a mistura então obrigatória de diesel A e biodiesel, a estatal calculou impacto equivalente a R$ 0,32 por litro no diesel B comercializado nos postos.

Ao mesmo tempo, o governo federal adotou medidas para amortecer o choque. A Medida Provisória 1.340, de 12 de março, criou subvenção econômica de R$ 0,32 por litro para o diesel nas condições previstas pelo programa. A Petrobras aderiu ao mecanismo.

A ANP também intensificou o acompanhamento dos estoques e das importações. Em 19 de março, a agência informou que havia flexibilizado temporariamente regras de estoques de gasolina e diesel para aumentar a disponibilidade de combustível próximo aos centros consumidores.

No fim daquele mês, a situação chegou a ser considerada excepcional. A Petrobras decidiu oferecer 70 milhões de litros adicionais de diesel S10 e 95 milhões de litros de gasolina para entrega em abril. Segundo a Reuters, os prêmios cobrados em negociações de diesel importado haviam alcançado entre R$ 1,80 e R$ 2 por litro acima dos preços de referência das refinarias da estatal.

Depois do pico, diesel recuou, mas voltou a subir

Após chegar à faixa de R$ 7,40 em abril, o diesel S10 começou a perder força em Campo Grande. O painel da ANP mostra o preço médio de revenda recuando progressivamente e chegando à região de R$ 6,70 no segundo semestre.

Mesmo assim, o movimento recente voltou a ser de alta. A última observação apresentada no painel aponta R$ 7,04 por litro, deixando o combustível novamente acima da marca de R$ 7.

O cenário continua sujeito a intervenções. Em 16 de setembro, o Ministério da Fazenda estabeleceu nova subvenção de R$ 1 por litro para o diesel A rodoviário, pelo prazo de 30 dias. A Petrobras informou que elevaria seu preço às distribuidoras no mesmo valor e concederia simultaneamente desconto de R$ 1 dentro do programa de subvenção.

Gasolina subiu 6,5%

A gasolina também sentiu a mudança de cenário, mas com intensidade menor que o diesel. O preço médio de revenda saiu de R$ 5,88 no começo do ano para R$ 6,26 na pesquisa mais recente, alta de 6,46%.

O gráfico da ANP mostra que a gasolina permaneceu próxima de R$ 5,90 até março, subiu rapidamente nas semanas seguintes e alcançou aproximadamente R$ 6,43 em abril. Posteriormente, houve acomodação e recuo para a faixa atual.

Em maio, diante do impacto da crise internacional, o governo criou também mecanismo de subvenção para a gasolina. No dia 29 daquele mês, a Petrobras reajustou a gasolina A em R$ 0,48 por litro nas refinarias, mas concedeu desconto de R$ 0,44 por litro no âmbito da subvenção. Segundo a empresa, o efeito líquido para as distribuidoras foi de R$ 0,04 por litro.

Etanol anda na contramão

O comportamento do etanol hidratado é diferente dos dois derivados de petróleo. Depois de começar o ano com preço médio de R$ 3,98, o combustível chegou à faixa de R$ 4,37 em abril. A partir daí iniciou trajetória de queda, chegando aos R$ 3,81 indicados na pesquisa mais recente. Na comparação entre o primeiro e o último ponto da série, o etanol está R$ 0,17 por litro mais barato, queda de 4,27%.

A oferta crescente de etanol em Mato Grosso do Sul é um elemento relevante para contextualizar esse mercado, embora os dados não permitam atribuir diretamente a queda do preço na bomba ao aumento da produção.

A estimativa da Conab para a safra 2025/26 aponta produção de 2,128 bilhões de litros de etanol de milho em Mato Grosso do Sul, ante 1,590 bilhão na temporada anterior, crescimento de 33,9%. Somente a produção de etanol hidratado de milho foi estimada em 1,556 bilhão de litros, alta de 25,7%.

Em um abastecimento de 50 litros, a mudança dos preços médios representa uma diferença relevante. No diesel S10, os 50 litros que custariam R$ 301 no começo do ano passam a representar R$ 352, acréscimo de R$ 51. Na gasolina, o valor passa de R$ 294 para R$ 313, diferença de R$ 19. Já no etanol ocorre o contrário: o mesmo volume passa de R$ 199 para R$ 190,50, redução de R$ 8,50.

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