Soja assume liderança da pauta e óleo quase triplica receita; açúcar e minério registram forte retração.
Da Redação

As exportações de Mato Grosso do Sul cresceram 11,9% nos primeiros oito meses de 2026 e acrescentaram US$ 875,6 milhões às receitas do Estado em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e agosto, os embarques somaram US$ 8,22 bilhões, contra US$ 7,35 bilhões em 2025.
O crescimento da receita foi superior ao avanço da quantidade de mercadorias enviadas ao exterior. Em volume, as exportações passaram de 19,77 bilhões de quilos para 21,49 bilhões, alta de 8,7%. Na média de toda a pauta, o valor obtido por quilo exportado aumentou cerca de 3%.
Os dados são do Comex Stat, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
A composição da pauta também mudou. A soja ultrapassou a celulose e assumiu a liderança das exportações sul-mato-grossenses. As vendas externas do grão passaram de US$ 2,02 bilhões para US$ 2,70 bilhões, crescimento de 33,9%.
O volume de soja embarcado aumentou em ritmo menor, 24,1%, de 5,11 bilhões para 6,34 bilhões de quilos. O valor médio implícito por quilo cresceu 7,9%.
A celulose, líder no mesmo período de 2025, caiu para a segunda posição. A receita recuou 1,9%, de US$ 2,18 bilhões para US$ 2,14 bilhões, enquanto o volume exportado diminuiu 4,3%.
Carne bovina cresce em receita
A carne bovina congelada aparece na terceira posição e foi outro destaque da pauta. As exportações saltaram de US$ 805,9 milhões para US$ 1,14 bilhão, avanço de 41,6%.
O crescimento da quantidade embarcada foi de 19,1%, bem inferior ao da receita. O valor médio obtido por quilo passou de US$ 5,17 para US$ 6,15, alta de aproximadamente 18,9%.
Na carne bovina fresca ou refrigerada, o comportamento foi ainda mais significativo. Mesmo com queda de 2,7% no volume exportado, a receita aumentou 11,1%, de US$ 289,1 milhões para US$ 321,3 milhões. O valor médio por quilo avançou 14,2%, de aproximadamente US$ 6 para US$ 6,85.
Óleo de soja dispara
Entre os dez principais produtos exportados pelo Estado em 2026, o maior crescimento percentual da receita ocorreu com o óleo de soja bruto.
As vendas saltaram de US$ 46,6 milhões nos primeiros oito meses de 2025 para US$ 138,7 milhões neste ano, alta de 197,4%. A quantidade embarcada aumentou 160,6%, enquanto o valor médio por quilo cresceu 14,1%.
Os bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja também avançaram. A receita passou de US$ 154,1 milhões para US$ 248,2 milhões, aumento de 61%, acompanhado por crescimento de 53,3% no volume.
O ferro fundido bruto completa o grupo de produtos do top 10 com crescimento. As exportações renderam US$ 105,9 milhões, alta de 28,1%, enquanto o volume aumentou 24,6%.
Açúcar cai pela metade
Na outra ponta, o açúcar de cana apresentou a maior retração de receita entre os dez principais produtos. As vendas externas caíram de US$ 453,2 milhões para US$ 208,9 milhões, redução de 53,9%.
Nesse caso, houve combinação de menos produto exportado e menor valor médio. O volume caiu 44%, enquanto o valor obtido por quilo recuou aproximadamente 17,6%.
O comportamento do minério de ferro chama atenção por outro motivo. Mato Grosso do Sul embarcou 19% mais minério, passando de 6 bilhões para 7,15 bilhões de quilos, mas a receita caiu 44,9%, de US$ 279,4 milhões para US$ 153,9 milhões.
A diferença está no valor médio obtido com o produto, que caiu aproximadamente 53,7%, de US$ 0,047 para US$ 0,022 por quilo.
As farinhas e pellets resultantes da extração do óleo de soja também tiveram retração. A receita caiu 14%, de US$ 139,5 milhões para US$ 120 milhões, acompanhando redução de 21,2% no volume exportado.
Assim, entre os dez produtos que mais geraram receita para Mato Grosso do Sul de janeiro a agosto de 2026, seis tiveram crescimento do valor exportado e quatro registraram queda na comparação com o mesmo período de 2025.




