Soja assume liderança, carne bovina avança e China concentra quase metade das compras do Estado
Anderson Viegas

As exportações de Mato Grosso do Sul movimentaram US$ 7,215 bilhões entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 12,8% em relação aos US$ 6,399 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Em valores absolutos, as vendas externas acrescentaram US$ 816,4 milhões à receita estadual.
O avanço foi acompanhado pelo aumento da quantidade embarcada. O volume passou de 16,943 bilhões para 18,934 bilhões de quilos, alta de 11,8%. Foram quase 2 bilhões de quilos a mais enviados para outros países no intervalo de um ano.
Como a receita cresceu ligeiramente acima do volume, o valor médio das mercadorias exportadas também apresentou melhora. Passou de US$ 0,378 por quilo nos sete primeiros meses de 2025 para US$ 0,381 em 2026, acréscimo de aproximadamente 0,9%.
Os dados são do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e consideram as mercadorias produzidas em Mato Grosso do Sul.
Soja assume a liderança
A soja ultrapassou a celulose e passou a ocupar a primeira posição entre os produtos mais exportados pelo Estado. As vendas do grão cresceram 30,8%, passando de US$ 1,855 bilhão para US$ 2,427 bilhões.
Com o resultado, a soja avançou da segunda para a primeira colocação do ranking. Sozinha, respondeu por 33,6% de toda a receita obtida por Mato Grosso do Sul com as exportações no período.
A celulose fez o movimento contrário. Depois de liderar a pauta estadual nos sete primeiros meses de 2025, caiu para a segunda posição em 2026. A receita recuou 7,1%, de US$ 1,965 bilhão para US$ 1,825 bilhão.
Mesmo com a queda, soja e celulose permaneceram distantes dos demais produtos. Juntas, movimentaram US$ 4,253 bilhões e representaram 58,9% das exportações estaduais até julho.
Carne bovina ganha força
As carnes bovinas desossadas e congeladas permaneceram na terceira posição, mas registraram um dos maiores avanços entre os principais itens da pauta. A receita saltou de US$ 671,9 milhões para US$ 1,042 bilhão, aumento de 55%.
Foi a primeira vez, na comparação entre os dois períodos, que esse produto ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão. Sua participação nas exportações estaduais chegou a 14,4%.
As carnes bovinas frescas ou refrigeradas também avançaram. A receita cresceu 12,4%, de US$ 250,6 milhões para US$ 281,5 milhões. O produto subiu da quinta para a quarta colocação.
Somadas, as duas principais categorias de carne bovina renderam US$ 1,323 bilhão a Mato Grosso do Sul entre janeiro e julho deste ano.
Derivados de soja avançam
Os bagaços e outros resíduos resultantes da extração do óleo de soja apresentaram crescimento de 64,5%. A receita passou de US$ 134,9 milhões para US$ 221,8 milhões, levando o produto da sétima para a quinta posição.
Outro destaque foi o óleo de soja bruto, que triplicou o valor exportado. As vendas avançaram 200,1%, de US$ 41,8 milhões para US$ 125,6 milhões. Com isso, o produto saltou da 14ª para a oitava colocação no ranking estadual.
O desempenho não se repetiu em todos os derivados. As exportações de farinhas e pellets provenientes da extração do óleo de soja caíram 16,4%, de US$ 127,8 milhões para US$ 106,9 milhões. O produto recuou da oitava para a nona posição.
Açúcar e minério perdem posições
O açúcar de cana apresentou a maior redução entre os produtos que estavam no topo da pauta exportadora. A receita caiu 52,6%, passando de US$ 353,2 milhões para US$ 167,4 milhões. O produto recuou da quarta para a sexta colocação.
O minério de ferro também perdeu receita e posição. As exportações diminuíram 45,3%, de US$ 243,2 milhões para US$ 132,9 milhões. O item passou do sexto para o sétimo lugar.
O milho em grão recuou 6,8%, com a receita diminuindo de US$ 82,2 milhões para US$ 76,6 milhões. No ranking, caiu da nona para a 11ª posição.
Na direção contrária, o ferro-gusa avançou 59%, de US$ 63,2 milhões para US$ 100,5 milhões. Com o crescimento, subiu da 11ª para a décima colocação.
Entre os produtos de origem animal, as exportações de coxas e sobrecoxas desossadas de frango cresceram 34,8%, de US$ 49,3 milhões para US$ 66,5 milhões. O produto avançou da 12ª posição em 2025 para a 11ª em 2026. Já os peitos desossados de frango ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,4%, mas recuaram do décimo para o 13º lugar.
China compra quase metade
As mercadorias Made in MS chegaram a 152 mercados entre janeiro e julho de 2026. Apesar da variedade de destinos, quase metade da receita ficou concentrada na China.
O país asiático comprou US$ 3,547 bilhões em produtos sul-mato-grossenses, equivalentes a 49,2% de tudo o que o Estado exportou no período. Em volume, foram 6,769 bilhões de quilos, ou 35,8% do total.
Os Estados Unidos apareceram na segunda posição, com compras de US$ 454 milhões e participação de 6,3%. Na sequência ficaram os Países Baixos, com US$ 296,7 milhões e 4,1%; a Itália, com US$ 259,5 milhões e 3,6%; e a Turquia, com US$ 160 milhões e 2,2%.
A Argentina foi o sexto principal destino, com US$ 149,8 milhões e participação de 2,1%. Embora tenha menor peso na receita, o país vizinho recebeu 1,629 bilhão de quilos, equivalentes a 8,6% do volume exportado pelo Estado.
Juntos, os cinco maiores compradores, China, Estados Unidos, Países Baixos, Itália e Turquia, movimentaram US$ 4,717 bilhões. O grupo concentrou 65,4% de toda a receita das exportações de Mato Grosso do Sul nos sete primeiros meses de 2026.




