05/08/2026 18:33

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Frota flex quase dobra em MS e alavanca alta de 195% no consumo de etanol

Em uma década, Estado ganhou 417 mil veículos bicombustíveis; diesel também bate recorde histórico, refletindo expansão do agronegócio e da indústria.

Anderson Viegas

Expansão da frota flex em Mato Grosso do Sul impulsionou o consumo de etanol, que cresceu 195,1% entre o primeiro semestre de 2016 e o de 2026, segundo dados da ANP (Foto: Pexels)

O crescimento da frota de veículos flex alavancou o consumo de etanol em Mato Grosso do Sul na última década. Entre junho de 2016 e junho de 2026, o número de veículos bicombustíveis (flex) passou de 469.588 para 886.690, alta de 88,8%, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). No mesmo período, as vendas de etanol hidratado no primeiro semestre saltaram de 61,3 milhões para 180,9 milhões de litros, crescimento de 195,1%, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O cruzamento das duas bases oficiais mostra que a rápida expansão da frota flex foi acompanhada por um forte avanço do consumo do biocombustível. No sentido oposto, as vendas de gasolina C permaneceram praticamente estáveis, com crescimento de apenas 1,8% em dez anos, indicando uma mudança estrutural no perfil de abastecimento dos motoristas sul-mato-grossenses.

A frota total de Mato Grosso do Sul aumentou de 1.432.796 veículos, em junho de 2016, para 2.069.917 veículos em junho de 2026. Foram incorporados 637.121 veículos ao sistema de trânsito estadual, crescimento de 44,5%. Grande parte dessa expansão foi puxada pelos veículos flex. Em dez anos, Mato Grosso do Sul ganhou 417.102 veículos bicombustíveis, elevando a participação dessa tecnologia de 32,8% para 42,8% da frota estadual. Hoje, pouco mais de quatro em cada dez veículos registrados no Estado são flex.

A frota movida exclusivamente a gasolina também cresceu, mas em ritmo muito inferior. O número de veículos abastecidos apenas com gasolina passou de 698.383 para 773.854, aumento de 75.471 unidades, equivalente a 10,8%. Apesar do crescimento absoluto, sua participação na frota caiu de 48,7% para 37,4% em dez anos, refletindo a preferência crescente pelos modelos bicombustíveis.

Essa mudança na composição da frota aparece diretamente nas bombas. No primeiro semestre de 2016, Mato Grosso do Sul consumiu 61,3 milhões de litros de etanol hidratado. Em igual período de 2026, o volume chegou a 180,9 milhões de litros. O aumento foi de 119,6 milhões de litros, equivalente a 195,1%. O resultado representa o segundo maior consumo para um primeiro semestre de toda a série histórica da ANP, ficando atrás apenas do recorde de 2024, quando foram comercializados cerca de 182 milhões de litros. Veja mais detalhes abaixo:

Enquanto o etanol ganhou espaço, a gasolina permaneceu praticamente estável ao longo da década. As vendas passaram de 354,9 milhões de litros no primeiro semestre de 2016 para 361,1 milhões de litros no mesmo período de 2026. O crescimento foi de apenas 6,2 milhões de litros, ou 1,8%. Mesmo assim, o volume registrado neste ano corresponde ao quarto maior primeiro semestre da série histórica da ANP.

Outro indicador que chama atenção é o diesel. As vendas do combustível passaram de 640,5 milhões de litros no primeiro semestre de 2016 para 1,021 bilhão de litros no mesmo período de 2026. O aumento foi de 380,3 milhões de litros, crescimento de 59,4%, o maior volume já registrado para um primeiro semestre desde o início da série analisada pela ANP.

A evolução do consumo coincide com a expansão da produção agropecuária, da indústria de celulose, do transporte rodoviário de cargas e da movimentação econômica do Estado. No mesmo intervalo, a frota de veículos movidos a diesel cresceu de 148.963 para 227.169 unidades, alta de 52,5%, movimento compatível com a maior demanda por transporte de cargas e máquinas em Mato Grosso do Sul.

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