Sebo bovino, tilápia e couro concentram os produtos do Estado que permaneceriam sujeitos à cobrança adicional de 12,5%
Da Redação

Apenas 4,65% das exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos deverão ser atingidas pela tarifa adicional de 12,5% imposta pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A medida foi formalizada nesta quinta-feira (23) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), por determinação do presidente Donald Trump, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A cobrança entrará em vigor às 0h01 de 24 de julho, no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, respeitadas as regras de transição previstas no ato.
O levantamento, realizado pelo MS Agrobusiness a partir do cruzamento da pauta de exportações sul-mato-grossense com a lista oficial de exceções publicada pelo USTR, indica que cerca de 95,35% das vendas do Estado ao mercado norte-americano deverão ficar fora da nova tarifa. Na prática, aproximadamente US$ 17,3 milhões dos US$ 371 milhões exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano permaneceriam sujeitos à cobrança adicional.
A decisão integra uma ação comercial adotada pelos Estados Unidos contra dezenas de parceiros comerciais. No caso brasileiro, o USTR publicou uma extensa relação de produtos excepcionados da medida. O cruzamento dos códigos de exportação de Mato Grosso do Sul com essa lista indica que praticamente toda a pauta exportadora do Estado permaneceria contemplada pelas exceções previstas no ato.
Entre os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul que deverão permanecer fora da nova tarifa estão carne bovina, celulose, ferro-gusa e minério de ferro, responsáveis pela maior parte das vendas sul-mato-grossenses aos Estados Unidos.
Tarifa deverá se concentrar em poucos produtos
O impacto da medida deverá ficar concentrado em poucos segmentos da pauta estadual. Sebo bovino, filés de tilápia, tilápias frescas e couros bovinos responderiam por aproximadamente 97% do valor das exportações de Mato Grosso do Sul que permaneceriam sujeitas à tarifa adicional.
O sebo bovino lidera a lista, com US$ 9,81 milhões exportados no primeiro semestre. Em seguida aparecem os filés de tilápia, com US$ 4,08 milhões, e os couros bovinos, que somam aproximadamente US$ 2,5 milhões em embarques. Também permaneceriam sujeitos à tarifa produtos como tilápias inteiras frescas ou refrigeradas, concentrados de proteínas, ovos sem casca, álcool etílico, móveis, vestuário, colas, papéis e outros itens de menor participação na pauta estadual.
Como foi feita a análise
A apuração cruzou os códigos dos produtos exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, constantes na base oficial de comércio exterior brasileiro, com a relação de exceções publicada pelo USTR no ato que instituiu a tarifa adicional. Com base nesse cruzamento, a maior parte dos produtos embarcados pelo Estado estaria contemplada entre as exceções, reduzindo significativamente o alcance potencial da medida sobre a pauta exportadora sul-mato-grossense.
Apesar de a tarifa ter repercussão nacional, os dados indicam que seus efeitos deverão se concentrar em poucos setores exportadores de Mato Grosso do Sul, enquanto os principais produtos da pauta estadual permaneceriam fora da cobrança adicional.
Uma sugestão editorial: eu só não usaria o condicional para o que é fato consumado (a publicação do ato pelo USTR e a entrada em vigor da medida). O condicional faz sentido apenas para os efeitos estimados sobre Mato Grosso do Sul, que decorrem do cruzamento dos documentos. Isso mantém o texto mais elegante e juridicamente sólido.





