20/05/2026 01:08

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Pantanal tem cheia abaixo da média histórica mesmo após recuperação parcial dos rios

Estação chuvosa elevou níveis da Bacia do Alto Paraguai, mas déficit acumulado desde 2019 ainda limita inundação no bioma.

Da Redação

No Pantanal a formação das cheias depende não apenas do volume total de precipitação, mas também da regularidade das chuvas ao longo do tempo e da sincronização das contribuições hidrológicas em diferentes regiões da bacia (Foto: Raquel Brunelli/Embrapa Pantanal).

A dinâmica hidrológica da Bacia do Alto Paraguai (BAP) durante a estação chuvosa de 2025–2026 indica recuperação parcial dos níveis dos rios do Pantanal, mas ainda insuficiente para restabelecer uma cheia próxima do padrão histórico sazonal do bioma. A avaliação é da Embrapa Pantanal, que aponta que o sistema segue impactado pelo déficit hídrico acumulado desde 2019.

Na estação fluviométrica de Ladário, principal referência para o monitoramento da planície pantaneira, o nível do Rio Paraguai atingiu 1,95 metro em 19 de abril deste ano. O valor ficou cerca de 1,2 metro abaixo da mediana histórica para o período, estimada em aproximadamente 3,18 metros, evidenciando uma cheia inferior ao comportamento típico do sistema.

Segundo o pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani, a análise das chuvas em toda a Bacia do Alto Paraguai, abrangendo áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mostra que o acumulado entre outubro de 2025 e março de 2026 ficou entre 10% e 12% abaixo da média histórica registrada entre 1981 e 2026.

“Além do déficit acumulado, observa-se forte irregularidade intra-sazonal, com destaque para o mês de janeiro de 2026, que apresentou anomalia negativa expressiva, contrastando com fevereiro, quando houve recuperação pontual das chuvas”, explica o pesquisador.

De acordo com Padovani, no Pantanal a formação das cheias depende não apenas do volume total de precipitação, mas também da regularidade das chuvas ao longo do tempo e da sincronização das contribuições hidrológicas em diferentes regiões da bacia.

“No contexto hidrológico do Pantanal, a geração de cheias depende não apenas do volume total precipitado, mas da persistência das chuvas ao longo de extensas áreas do planalto e da sincronização das contribuições hidrológicas”, afirma.

O pesquisador destaca ainda que a interpretação dos níveis dos rios precisa considerar a chamada “memória hidrológica” do sistema. Segundo ele, desde 2019 o Pantanal atravessa um período prolongado de estiagem, marcado por déficits sucessivos de armazenamento de água no solo, aquíferos e canais fluviais.

Esse cenário faz com que parte significativa da água das chuvas seja absorvida inicialmente para recompor os estoques hídricos, reduzindo a eficiência da geração de escoamento superficial e dificultando a propagação da cheia pela planície pantaneira.

Como consequência, a resposta hidrológica ocorre de forma desigual na bacia, com elevação mais rápida dos rios nas áreas de montante e forte atenuação na planície do Pantanal, onde a baixa declividade favorece a dissipação do pulso de inundação.

Apesar da cheia abaixo da média histórica, a avaliação da Embrapa é que a situação não deverá prejudicar atividades como navegação, transporte de cargas e turismo na região.

A principal atividade favorecida pela elevação parcial dos rios deverá ser a pecuária bovina nas áreas próximas ao Rio Paraguai. Segundo Padovani, nessas regiões a combinação entre solos férteis e disponibilidade de água favorece o desenvolvimento das pastagens nativas, principal fonte de alimentação dos rebanhos.

Por outro lado, a cheia reduzida tende a impactar negativamente a produção pesqueira. Estudos da Embrapa Pantanal mostram que cheias mais intensas e duradouras aumentam a disponibilidade de alimento e abrigo para peixes adultos e juvenis, contribuindo diretamente para a reprodução e manutenção dos estoques pesqueiros do bioma.

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