20/05/2026 01:09

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Arauco usa drones termais para monitorar primatas e ampliar conservação no Projeto Sucuriú

Tecnologia inédita em Mato Grosso do Sul identificou sete grupos de bugios-pretos e reforça ações ambientais em Inocência

Da Redação

Com o uso dos drones, a empresa conseguiu ampliar significativamente o monitoramento dos primatas (Foto: Arauco/Divulgação).

A Arauco passou a utilizar drones equipados com sensores termais para monitorar primatas no Projeto Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. A tecnologia tem ampliado a capacidade de identificação e acompanhamento de espécies ameaçadas, além de fornecer dados para estratégias de conservação ambiental e conectividade florestal.

A iniciativa ganha destaque no mês em que é celebrado o Dia Internacional da Biodiversidade, em 22 de maio, e representa um avanço no monitoramento da fauna em áreas de grande extensão florestal.

Com o uso dos drones, a empresa conseguiu ampliar significativamente o monitoramento de espécies como o bugio-preto (Alouatta caraya) e o macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), ambas classificadas como vulneráveis ao risco de extinção.

Segundo a empresa, levantamentos anteriores realizados apenas por monitoramento terrestre haviam identificado um grupo confirmado de bugios-pretos e indícios de até outros dois grupos. Após poucos dias de operação dos drones e voos sobre mais de 120 quilômetros de áreas florestais, foram identificados pelo menos sete grupos da espécie, além de um grupo de macaco-prego-do-papo-amarelo.

O biólogo da Arauco, Gonzalo Flores, afirma que a tecnologia permite ampliar a área monitorada e acessar regiões de difícil alcance.

“O emprego dos drones termais tem se mostrado de alta relevância, pois, além de oferecer maior agilidade e precisão, amplia a área monitorada e permite acessar regiões de difícil alcance, como veredas e corpos d’água”, destacou.

O monitoramento é considerado estratégico para a conservação da biodiversidade regional. O bugio-preto foi recentemente classificado como vulnerável à extinção no Brasil, enquanto o macaco-prego-do-papo-amarelo integra o Plano de Ação Nacional para Conservação de Espécies do Cerrado, Pantanal e Amazônia, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Os dados coletados também serão utilizados na elaboração de planos de conservação ambiental e em medidas de mitigação de impactos associados ao empreendimento. Entre as ações estudadas está a construção de duas passagens superiores de fauna voltadas à conectividade do dossel florestal para primatas e outras espécies arborícolas. Segundo a empresa, as estruturas poderão se tornar as maiores passagens de fauna do mundo voltadas a esse tipo de espécie.

A operação conta com apoio técnico da Sauá Consultoria Ambiental, integrante do grupo de assessoramento técnico do PAN CERPAM. A bióloga Carolina Garcia explica que o sensor termal permite identificar os animais pela radiação infravermelha emitida pelo corpo, criando contraste com a vegetação nas primeiras horas da manhã.

Além dos primatas, os drones também registraram espécies como jaguatirica, anta, queixada, araras e urubu-rei, ampliando o banco de informações sobre a fauna presente na região do Projeto Sucuriú.

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