19/05/2026 06:34

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População perde 4 horas por dia no transporte coletivo de Campo Grande

Levantamento da CDL aponta desgaste diário, precariedade e impacto no comércio local.

Da Redação

Presidente do CDL Campo Grane avalia que população que usa o transporte coletivo percer 4 horas por dia no deslocamento é desumano (Foto: CDL/Divulgação).

Usuários do transporte coletivo de Campo Grande perdem, em média, 4 horas por dia, totalizando 44 dias por ano apenas no deslocamento entre casa e trabalho. O dado faz parte de levantamento realizado pela CDL Campo Grande e pelo SPC Brasil, entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, com 280 trabalhadores e consumidores das sete regiões urbanas da Capital.

Segundo o diagnóstico, 63% dos entrevistados afirmaram gastar cerca de quatro horas diárias entre espera nos pontos, transbordos e tempo de viagem. Outros 22% relataram situações ainda mais extremas, com deslocamentos entre cinco e seis horas por dia, o equivalente a 66 dias por ano dedicados exclusivamente ao transporte. Apenas 15% disseram gastar até duas horas diárias no trajeto.

O estudo aponta que os impactos da mobilidade urbana ultrapassam o transporte e atingem diretamente a economia local. Para a CDL, a precariedade do sistema afeta a produtividade, a qualidade de vida e o consumo no comércio da cidade.

Presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo afirma que o desgaste enfrentado diariamente pelos trabalhadores compromete até mesmo o ambiente econômico da Capital.

“Muitas vezes o consumidor quando chega para consumir, ele encontra um trabalhador ali desmotivado, cansado, mas talvez não saiba que esse trabalhador passou 2 horas entre o ponto de ônibus até a chegada ao emprego e ele vai ter que enfrentar mais 2 horas do momento que ele sai do emprego até chegar à residência dele. Então nós temos 4 horas perdidas por dia… isso é algo desumano”, declarou.

Entre os principais problemas apontados pelos usuários está a situação da infraestrutura urbana. De acordo com a pesquisa, 70% atribuem os atrasos diários e o desconforto durante as viagens ao estado precário das vias e às constantes quebras mecânicas dos veículos. Outros 18% responsabilizam o excesso de carros nos horários de pico e 12% afirmam que faltam ônibus nas linhas.

Os pontos de ônibus também aparecem entre as principais reclamações. Cerca de 65% dos entrevistados classificaram a estrutura como “péssima”, citando falta de cobertura, assentos e iluminação. Outros 21% consideram os pontos “ruins”, em razão de bancos quebrados e estruturas danificadas. Apenas 14% avaliaram o serviço como regular.

A pesquisa também aponta dificuldades no período noturno. Para 73% dos usuários, a oferta de transporte após as 21h é considerada crítica ou inexistente, com esperas superiores a uma hora nos pontos de ônibus. Outros 18% classificaram o sistema como inseguro devido à falta de iluminação e 9% disseram considerar o atendimento satisfatório.

Segundo Adelaido Figueiredo, a deficiência do transporte coletivo provoca efeitos em cadeia sobre a cidade.

“A gente deixa de produzir, a gente deixa de ter qualidade de vida e quando não se tem qualidade de vida, se adoece mais. Isso também leva esse trabalhador para o posto de saúde. É importante ressaltar que, com a decadência do transporte público, classes sociais que conseguem chegar até o veículo estão comprando veículos, aumentando o fluxo de veículos nas ruas e isso impacta de novo o transporte público. Campo Grande fica numa condição de cidade triste, cidade onde o cidadão acaba sendo penalizado pela ineficiência da administração”, afirmou.

O levantamento também avaliou os corredores exclusivos de ônibus e os terminais de transbordo. Para 67% dos entrevistados, a situação é crítica, com corredores travados e terminais em estado de abandono estrutural. Outros 22% classificaram o serviço como regular e 11% avaliaram de forma positiva os trechos recém-recapeados

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