24/04/2026 19:50

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Suinocultura de MS acelera expansão e já ocupa 4º lugar no Brasil

Com 125 mil matrizes, cadeia integrada, avanço industrial e nova logística no radar, Estado se consolida entre os polos mais promissores do país.

Anderson Viegas

Presidente da Asumas, Renato Spera (Foto: Asumas/Divulgação)

Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de crescimento da suinocultura, ampliou seu rebanho, consolidou a cadeia produtiva e já ocupa a quarta posição entre os maiores produtores do Brasil. Com cerca de 125 mil matrizes produtivas, avanço industrial e perspectivas abertas pela futura Rota Bioceânica, o Estado se firma como uma das fronteiras mais promissoras da proteína animal no país.

A avaliação é do presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores(Asumas), Renato Spera, que destacou nesta quinta-feira durante encontro de lideranças da cadeia, em Campo Grande, a combinação entre produtores, cooperativas, agroindústrias e políticas públicas como motor da expansão regional.

“Mato Grosso do Sul está em pleno crescimento. O produtor responde, a agroindústria responde e a cooperativa responde. Estamos vivendo um momento bom”, afirmou.

Dados institucionais da entidade mostram a dimensão atual do setor. Em 2025, o Estado registrou 6,58 milhões de cabeças em engorda e 3,75 milhões de animais abatidos, números que reforçam o peso crescente da atividade dentro do agronegócio sul-mato-grossense.

Um dos diferenciais apontados por Spera é o nível de organização da cadeia local. Ao contrário de outras regiões marcadas por maior volatilidade de mercado, Mato Grosso do Sul tem forte presença de sistemas cooperativistas e integração com agroindústrias, reduzindo oscilações e dando previsibilidade ao produtor.

Segundo ele, o Estado reúne praticamente todos os elos produtivos da atividade, incluindo granjas de matrizes, creche, recria, terminação, centrais de genética e unidades industriais. Isso permite crescimento mais sólido e competitivo.

Os principais polos frigoríficos estão em Glória de Dourados, Dourados, São Gabriel do Oeste, Jateí e Itaporã, regiões que concentram parte relevante da produção estadual.

Exportações ainda pequenas, mas com grande potencial

Apesar da força interna, a produção ainda é majoritariamente voltada ao mercado brasileiro. Hoje, entre 3% e 4% do volume produzido em Mato Grosso do Sul segue para exportação, percentual considerado baixo diante do potencial competitivo do Estado.

Em 2025, as vendas externas renderam US$ 53,9 milhões, com embarque de 22,8 mil toneladas. Os principais destinos foram Singapura, Filipinas e Emirados Árabes Unidos.

Para a entidade, a abertura de novos mercados tende a ganhar força com o reconhecimento sanitário internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, além da proximidade da conclusão da Rota Bioceânica, corredor logístico que ligará o Centro-Oeste aos portos do Pacífico.

A expectativa do setor é que a nova rota reduza entre 12 e 17 dias no transporte marítimo até mercados asiáticos, principais consumidores mundiais de carne suína. Isso ampliaria a competitividade de Mato Grosso do Sul frente a estados hoje mais próximos dos portos tradicionais do Sul do país.

“Hoje a carne suína é a mais consumida no mundo. Com a Rota Bioceânica e competitividade em grãos, temos tudo para crescer muito”, afirmou Spera.

Mesmo com cenário favorável, a cadeia ainda enxerga gargalos importantes. Entre eles estão a necessidade de mão de obra qualificada, infraestrutura municipal, estradas, habitação e serviços públicos nas regiões de expansão.

Segundo o presidente da Asumas, a tecnificação crescente das granjas exige trabalhadores preparados, ao mesmo tempo em que a atividade impulsiona emprego, renda e desenvolvimento social nos municípios onde se instala.

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