Com 125 mil matrizes, cadeia integrada, avanço industrial e nova logística no radar, Estado se consolida entre os polos mais promissores do país.
Anderson Viegas

Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de crescimento da suinocultura, ampliou seu rebanho, consolidou a cadeia produtiva e já ocupa a quarta posição entre os maiores produtores do Brasil. Com cerca de 125 mil matrizes produtivas, avanço industrial e perspectivas abertas pela futura Rota Bioceânica, o Estado se firma como uma das fronteiras mais promissoras da proteína animal no país.
A avaliação é do presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores(Asumas), Renato Spera, que destacou nesta quinta-feira durante encontro de lideranças da cadeia, em Campo Grande, a combinação entre produtores, cooperativas, agroindústrias e políticas públicas como motor da expansão regional.
“Mato Grosso do Sul está em pleno crescimento. O produtor responde, a agroindústria responde e a cooperativa responde. Estamos vivendo um momento bom”, afirmou.
Dados institucionais da entidade mostram a dimensão atual do setor. Em 2025, o Estado registrou 6,58 milhões de cabeças em engorda e 3,75 milhões de animais abatidos, números que reforçam o peso crescente da atividade dentro do agronegócio sul-mato-grossense.
Um dos diferenciais apontados por Spera é o nível de organização da cadeia local. Ao contrário de outras regiões marcadas por maior volatilidade de mercado, Mato Grosso do Sul tem forte presença de sistemas cooperativistas e integração com agroindústrias, reduzindo oscilações e dando previsibilidade ao produtor.
Segundo ele, o Estado reúne praticamente todos os elos produtivos da atividade, incluindo granjas de matrizes, creche, recria, terminação, centrais de genética e unidades industriais. Isso permite crescimento mais sólido e competitivo.
Os principais polos frigoríficos estão em Glória de Dourados, Dourados, São Gabriel do Oeste, Jateí e Itaporã, regiões que concentram parte relevante da produção estadual.
Exportações ainda pequenas, mas com grande potencial
Apesar da força interna, a produção ainda é majoritariamente voltada ao mercado brasileiro. Hoje, entre 3% e 4% do volume produzido em Mato Grosso do Sul segue para exportação, percentual considerado baixo diante do potencial competitivo do Estado.
Em 2025, as vendas externas renderam US$ 53,9 milhões, com embarque de 22,8 mil toneladas. Os principais destinos foram Singapura, Filipinas e Emirados Árabes Unidos.
Para a entidade, a abertura de novos mercados tende a ganhar força com o reconhecimento sanitário internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, além da proximidade da conclusão da Rota Bioceânica, corredor logístico que ligará o Centro-Oeste aos portos do Pacífico.
A expectativa do setor é que a nova rota reduza entre 12 e 17 dias no transporte marítimo até mercados asiáticos, principais consumidores mundiais de carne suína. Isso ampliaria a competitividade de Mato Grosso do Sul frente a estados hoje mais próximos dos portos tradicionais do Sul do país.
“Hoje a carne suína é a mais consumida no mundo. Com a Rota Bioceânica e competitividade em grãos, temos tudo para crescer muito”, afirmou Spera.
Mesmo com cenário favorável, a cadeia ainda enxerga gargalos importantes. Entre eles estão a necessidade de mão de obra qualificada, infraestrutura municipal, estradas, habitação e serviços públicos nas regiões de expansão.
Segundo o presidente da Asumas, a tecnificação crescente das granjas exige trabalhadores preparados, ao mesmo tempo em que a atividade impulsiona emprego, renda e desenvolvimento social nos municípios onde se instala.





