16/04/2026 19:39

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Pretou amplia espaço para arte negra com programação gratuita em Campo Grande

Segunda edição da mostra será realizada nos dias 17 e 18 de abril, no Teatro do Mundo, com música, cinema, literatura, gastronomia e atividades acessíveis em Libras

Da Redação

Artistas da II edição da Pretou – Mostra de Artes Pretas se reúnem no Teatro do Mundo, em Campo Grande, celebrando a diversidade, a representatividade e a potência da produção cultural negra em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Pretou).

Após o sucesso da primeira edição, realizada em 2024, a Pretou, Mostra de Artes Pretas, retorna a Campo Grande com programação ampliada, gratuita e acessível em Libras. O evento será realizado na sexta-feira, 17 de abril, e no sábado, 18 de abril, no Teatro do Mundo, na Rua Barão do Melgaço, 177, no centro da Capital, reunindo artistas e público em torno da produção negra em Mato Grosso do Sul.

A segunda edição da mostra reforça a proposta de ser um espaço de encontro, visibilidade e afirmação. Mais do que um evento cultural, a Pretou se apresenta como território de diálogo social, no qual diferentes linguagens artísticas se cruzam para dar centralidade a histórias, memórias e potências muitas vezes invisibilizadas.

Idealizador do projeto, o artista e produtor Fábio Castro afirma que a criação da mostra nasceu da necessidade de ocupação. “Sentia falta de um espaço onde artistas negros pudessem se apresentar e se ver como protagonistas das próprias histórias. A Pretou surge como esse espelho, mas também como um movimento contrário às narrativas que insistem em nos colocar à margem”, diz.

Segundo ele, a segunda edição amplia esse propósito. “A gente cresce em estrutura e também em presença. Campo Grande tem uma população majoritariamente negra e parda. São cerca de 475 mil pessoas que se declaram negras ou pardas. A Pretou vem para tensionar isso e colocar essas experiências no centro”, afirma.

A diversidade da programação se traduz na presença de artistas que atuam em diferentes frentes, com atividades distribuídas ao longo dos dois dias. A abertura da mostra será ao som da DJ Lady Afro, que se apresenta na sexta-feira, das 16h às 18h, com sets que transitam entre afrobeat, funk, hip hop e dancehall.

“Quando eu toco, penso na energia da pista, mas também na representatividade. Ser uma mulher preta, periférica e LGBTQIAPN+ ocupando esse espaço é uma forma de resistência”, destaca a artista. Para ela, a Pretou fortalece um movimento coletivo. “São espaços como esse que abrem caminhos para outros artistas. A gente se vê, se reconhece e entende que pode estar ali também”, completa.

Na gastronomia, a pesquisadora e engenheira agrônoma Hilbaty Rodrigues conduz a oficina “Mato não! Comida”, na sexta-feira, das 17h às 19h. A atividade propõe um olhar sensível sobre alimentação, território e memória, a partir das PANCs, as Plantas Alimentícias Não Convencionais.

“Quando trabalhamos com PANCs, falamos de plantas que sempre estiveram nos territórios, mas foram invisibilizadas ao longo do tempo. Isso provoca uma reflexão: por que algumas coisas são vistas como alimento e outras como mato?”, questiona Hilbaty. “A ideia é experimentar, sentir, provar. Mostrar que esses saberes seguem vivos e podem fazer parte do nosso cotidiano de forma acessível”, acrescenta.

No campo das artes cênicas, o ator e pesquisador Marcelo de Jesus conduz a palestra “Dramaturgias Negras”, no sábado, das 17h às 18h30. A atividade aborda o teatro como ferramenta de reflexão e transformação social.

“O teatro tem a potência de discutir o mundo a partir do corpo. E quando esse corpo é negro, ele carrega uma história e uma experiência que precisam ser vistas e ouvidas. Falar de dramaturgia negra é falar de presença, memória e disputa por espaço”, afirma Marcelo. Para ele, a Pretou cumpre papel essencial ao enfrentar o apagamento das experiências negras em Mato Grosso do Sul.

Durante os dois dias, a mostra reúne exposição de artes visuais com novos talentos do Estado, apresentações musicais, oficina gastronômica, exibição de cinema negro com debate, além de literatura, poesia e performances. A programação começa sempre às 16h, com abertura da feira criativa de empreendedores e da exposição de artes visuais de artistas negros.

Entre os destaques de sexta-feira estão a exibição de filmes de cineastas negros sul-mato-grossenses, a partir das 18h, a roda de conversa “Letra Preta”, às 20h15, o Slam Camélias, às 21h, e o show com Afrofino, às 21h30. No sábado, a programação inclui apresentação da DJ TGB, às 16h, a dança “Corpos em Território”, às 19h, a performance “Mulheres e Estrelas”, às 20h, e o show “Do Interior”, com SoulRa, às 21h.

Com atividades acessíveis em Libras e proposta que integra diferentes linguagens, a Pretou se firma como um espaço de encontro entre arte e identidade. “Mais do que apresentar trabalhos, a Pretou constrói um território onde histórias negras são contadas por quem as vive, e onde o público é convidado não apenas a assistir, mas a reconhecer, refletir e fazer parte desse movimento”, conclui Fábio Castro.

A Pretou é uma realização da Touché e Vitrine do Mato. A mostra conta com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, via edital da Fundac, Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, e da Prefeitura de Campo Grande. Mais informações podem ser obtidas no Instagram @vitrinedomato.

Serviço

Pretou, II Mostra de Artes Pretas.
Local: Teatro do Mundo.
Endereço: Rua Barão do Melgaço, 177, Centro, Campo Grande/MS.
Entrada gratuita. Classificação livre.
Programação completa e informações: Instagram @vitrinedomato.

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