10/04/2026 09:21

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Fiems assina manifesto contra fim da escala 6×1 e alerta para impactos na economia

Documento apoiado pela indústria nacional aponta aumento de custos, risco ao emprego e perda de competitividade com redução da jornada semanal

Da Redação

Entidades da indústria, incluindo a Fiems, assinam manifesto contra o fim da escala 6×1 (Foto: Divulgação).

A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul assinou manifesto divulgado nesta quinta-feira, 9 de abril, que expressa preocupação com propostas em discussão no Congresso Nacional sobre a redução da jornada de trabalho semanal e o fim da escala 6×1.

O documento conta com o apoio da Confederação Nacional da Indústria, de outras 26 federações estaduais, 95 associações setoriais e 342 sindicatos industriais. No texto, as entidades defendem que o debate sobre a carga horária é legítimo, mas alertam para possíveis impactos sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais.

De acordo com estimativas apresentadas no manifesto, a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos com empregados formais em até 267 bilhões de reais por ano, o que representa aumento de até 7 por cento. No setor industrial, o impacto seria ainda maior, com elevação de cerca de 11 por cento, equivalente a 88 bilhões de reais.

O documento também cita simulações do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, que indicam possibilidade de queda de até 11,3 por cento no Produto Interno Bruto.

As entidades destacam que a discussão envolve não apenas a quantidade de horas trabalhadas, mas a competitividade do país, que já enfrenta desafios estruturais como alto custo de produção, baixa produtividade e insegurança jurídica.

Segundo o manifesto, a produtividade do trabalho no Brasil cresceu apenas 0,2 por cento ao ano desde 1981, e o país ocupa atualmente a centésima posição entre 189 nações em ranking internacional de produtividade por trabalhador.

O texto ressalta ainda que o Brasil já registra média próxima de 39 horas semanais de trabalho, considerando todos os setores, e que o limite de 44 horas permite maior flexibilidade para negociações conforme a realidade de empresas, regiões e atividades.

Entre os possíveis efeitos negativos apontados estão o aumento da inflação, perda de competitividade, crescimento das importações, impacto no déficit público e dificuldades para contratação em um cenário considerado de pleno emprego.

O manifesto também questiona o momento da discussão, destacando que mudanças estruturais na legislação trabalhista devem ser conduzidas com base em evidências, diálogo técnico e responsabilidade econômica, sem influência de fatores eleitorais.

Para as entidades signatárias, o debate deve ser aprofundado com a participação dos setores produtivos, com o objetivo de construir soluções que preservem o ambiente de negócios, ampliem oportunidades de emprego e garantam sustentabilidade econômica de longo prazo.


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