31/03/2026 18:35

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Setor de fertilizantes alerta para alta de custos e cobra medidas federais para conter impacto no agro

Indústria projeta retração de até 15% no mercado em 2026 e aponta efeitos de conflitos internacionais, tributação e frete sobre os preços dos alimentos

Da Redação

Projeção é de retração entre 10% e 15% no mercado nacional de fertilizantes em 2026 (Foto: Fertilizante Fotos de banco de imagens por Vecteez)

O setor de fertilizantes no Brasil acendeu um alerta para o avanço dos custos de produção no agronegócio e cobra medidas do governo federal para conter a escalada de preços dos insumos agrícolas. A avaliação de entidades como o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR), é de que fatores internacionais e domésticos já pressionam o mercado e podem refletir diretamente no preço dos alimentos.

A entidade aponta que a projeção é de retração entre 10% e 15% no mercado nacional de fertilizantes em 2026, após o recorde de 49 milhões de toneladas entregues em 2025. O cenário é influenciado pelos conflitos geopolíticos envolvendo países como Irã e Ucrânia, além de mudanças tributárias e logísticas no Brasil.

Entre os fatores internos, o setor aponta o início da cobrança de PIS/COFINS sobre fertilizantes, a partir de 1º de abril, e os impactos da Medida Provisória do frete mínimo, que elevam os custos de produção no campo. A combinação desses elementos tem levado produtores a adiar compras e empresas a rever estratégias diante da incerteza do mercado.

No cenário internacional, a oferta global de insumos também sofre pressão. O fechamento do Estreito de Ormuz pode comprometer a produção de fertilizantes fosfatados, enquanto restrições da China às exportações e limitações na produção de países como Índia e Rússia reduzem a disponibilidade de matérias-primas essenciais.

Com custos mais elevados, a tendência é de redução no uso de fertilizantes, o que pode impactar diretamente a produtividade agrícola. A consequência, segundo o setor, pode ser a diminuição da oferta de alimentos e o aumento de preços de produtos como soja, milho, carne, açúcar e café no mercado interno e externo.

Diante desse cenário, entidades representativas do setor articulam, segundo o Sindiadubos-PR, ações junto ao governo federal para mitigar os impactos. Entre as propostas estão o adiamento da cobrança de tributos, revisão da política de frete e negociações internacionais para garantir o abastecimento de fertilizantes ao Brasil.

A avaliação do setor é que o equilíbrio entre custos, logística e política tributária será determinante para manter a competitividade do agronegócio brasileiro e evitar efeitos mais intensos sobre a inflação dos alimentos.

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