Ferramenta que considera nível de manejo do solo poderá ampliar acesso ao seguro rural no próximo Plano Safra.
Da Redação

Operadores do agronegócio de Mato Grosso do Sul participarão, no próximo dia 12 de março, de uma reunião virtual para apresentação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM), nova metodologia que amplia a análise de risco climático ao incorporar práticas de manejo do solo.
O encontro será realizado às 9h (horário de Brasília) e integra uma série de reuniões promovidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Embrapa para apresentar a ferramenta a potenciais operadores. A iniciativa será expandida na próxima safra para os estados do Sul do país e Mato Grosso do Sul.
Na safra 2025/2026, o modelo foi testado em caráter piloto no Paraná, com a cultura da soja. Na nova fase de testes, além da soja, o milho segunda safra também será incluído.O evento do dia 12 será direcionado a representantes do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Já no dia 19 de março, a reunião será voltada a participantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
O objetivo é apresentar o funcionamento do sistema a cooperativas, associações de produtores, agentes de seguro agrícola, operadores de crédito rural, laboratórios de análise de solos, empresas de georreferenciamento e demais interessados em atuar como operadores do ZarcNM.
Durante o encontro, serão detalhados os critérios técnicos da metodologia e o papel de cada agente dentro do fluxo operacional do sistema.
Segundo os organizadores, não há custos para empresas ou profissionais interessados em atuar como operadores do ZarcNM. No entanto, cada perfil de operador deve atender a pré-requisitos técnicos específicos, que podem ser consultados na página da Rede Zarc da Embrapa.
Evolução do zoneamento agrícola
O Zarc Níveis de Manejo representa uma evolução metodológica do Zoneamento Agrícola de Risco Climático tradicional. Enquanto o modelo convencional considera variáveis como clima, tipo de solo e ciclo da cultura, a nova abordagem incorpora também a qualidade do manejo do solo como fator determinante para reduzir riscos climáticos.
A proposta é reconhecer práticas agrícolas que aumentam a resiliência das lavouras, permitindo que produtores que adotem níveis mais avançados de manejo tenham acesso a condições diferenciadas no seguro rural.No projeto piloto realizado no Paraná, por exemplo, os percentuais de subvenção do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) variaram conforme o nível de manejo. As taxas foram de 20% para o nível NM1, 25% para o NM2, 30% para o NM3 e 35% para o NM4.
A ampliação do piloto do ZarcNM está prevista para integrar o Plano Safra 2026/2027, que deverá definir os valores disponíveis para seguro nessa modalidade e os percentuais de subvenção aplicáveis.
Avaliação por talhão
A classificação dos níveis de manejo é realizada por talhão e considera indicadores técnicos relacionados à conservação e qualidade do solo.Entre os critérios avaliados estão o tempo sem revolvimento do solo, a presença de cobertura vegetal com palhada, a saturação por bases, os níveis de cálcio, a saturação por alumínio, a diversidade de cultivos e a adoção de práticas como semeadura em nível ou em contorno em áreas com declividade superior a 3%.Os dados das análises de solo são inseridos por laboratórios credenciados no Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SiNM), plataforma desenvolvida pela Embrapa.
No sistema, operadores de contrato também registram informações sobre os talhões e solicitam análises por sensoriamento remoto para verificar a cobertura do solo e o histórico da área. Após o registro das três etapas de avaliação, o sistema gera a classificação final do nível de manejo.
Com base nesse resultado, as seguradoras informam ao Ministério da Agricultura o enquadramento do produtor para liberação da subvenção correspondente no seguro rural.As inscrições para participar das reuniões virtuais devem ser feitas por meio de formulário disponibilizado pela organização.





