Busca por preços baixos e resultados rápidos impulsiona infecções, deformidades e prejuízos irreversíveis à saúde íntima masculina.
Da Redação

A realização de procedimentos estéticos por profissionais não médicos tem provocado um aumento expressivo de complicações graves no Brasil, incluindo sequelas permanentes em 17% dos casos, segundo estudo publicado no periódico científico Dermatologic Surgery. O alerta surge em meio à expansão acelerada do mercado de beleza no país, que já ocupa a quarta posição mundial no setor de cuidados pessoais, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão, mas que nem sempre avança com os mesmos padrões de segurança.
O tema ganhou repercussão nacional após investigações da polícia civil de goiás revelarem, no último ano, um esquema envolvendo clínicas clandestinas e falsos profissionais que realizavam procedimentos invasivos sem qualificação técnica, uso de produtos sem certificação e ausência de registro em conselhos profissionais. O caso veio à tona depois que um homem ficou impotente após se submeter a um preenchimento íntimo irregular, evidenciando os riscos associados a práticas fora do ambiente médico.
Em Mato Grosso do Sul, o urologista Henrique Coelho, especialista em saúde do homem e referência em preenchimento peniano no estado, afirma que o número de complicações relacionadas ao engrossamento peniano cresceu de forma alarmante nos últimos anos, impulsionado principalmente pela oferta irregular desses serviços. Segundo ele, muitos pacientes acabam priorizando o custo do procedimento em vez da qualificação do profissional responsável.
“O engrossamento peniano não é um procedimento estético simples. Estamos falando de medicina de alto nível. A região envolve vasos, nervos e estruturas extremamente delicadas da anatomia masculina. Qualquer erro pode comprometer de forma definitiva a função sexual”, alerta o urologista, ao destacar que falhas técnicas podem gerar danos permanentes.
Entre as complicações mais frequentes observadas em intervenções realizadas de forma inadequada estão a perda permanente de sensibilidade, infecções graves, deformidades no órgão genital, necessidade de cirurgias reparadoras complexas e prejuízos irreversíveis à função sexual. De acordo com Henrique, somente o urologista possui a formação científica e o domínio da anatomia masculina necessários para executar o procedimento com segurança, utilizando produtos certificados pela Anvisa e seguindo protocolos médicos rigorosos.
Para o especialista, o crescimento desses casos serve como um alerta à população, especialmente diante da popularização de procedimentos estéticos nas redes sociais. “Autoconfiança não pode custar a saúde. O corpo não deve ser entregue a quem não é especialista. Informação, responsabilidade e escolha consciente são as maiores formas de prevenção”, conclui.





