Levantamento da CNC mostra índice acima da linha de satisfação, puxado principalmente por consumidores com renda superior a 10 salários mínimos.
Da Redação

As famílias com renda acima de 10 salários mínimos foram as principais responsáveis pela alta da Intenção de Consumo das Famílias em Campo Grande no início de 2026. O indicador alcançou 107,0 pontos em janeiro, mantendo-se na zona de satisfação, acima da linha de 100 pontos, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
O resultado revela comportamentos distintos entre as faixas de renda. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice chegou a 119,8 pontos, enquanto aquelas com renda de até 10 salários mínimos registraram 104,5 pontos. A diferença evidencia percepções desiguais sobre emprego, renda, acesso ao crédito e capacidade de consumo, ainda que ambos os grupos permaneçam em patamar considerado positivo.
De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, o recorte por renda ajuda a explicar o desempenho do indicador. “O índice geral segue positivo, mas o recorte por faixa de renda mostra realidades bem distintas. As famílias com renda acima de 10 salários mínimos apresentam maior segurança financeira, o que sustenta a intenção de consumo em patamar mais elevado. Já entre as famílias de menor renda, a cautela permanece, influenciada principalmente pelo custo de vida e pela percepção mais restritiva do crédito”, analisa.
No componente emprego atual, as famílias de maior renda atingiram 154,1 pontos, indicando percepção elevada de segurança no trabalho, enquanto o índice entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos ficou em 134,2 pontos. A avaliação da renda atual também seguiu a mesma tendência, com 130,6 pontos no grupo de maior renda e 114,8 pontos no grupo de menor renda.
O acesso ao crédito aparece como um dos principais fatores de diferenciação. Para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o índice ficou em 104,1 pontos, acima da linha de satisfação. Já entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o indicador marcou 85,9 pontos, permanecendo em zona de insatisfação e refletindo maior restrição financeira.
Apesar das diferenças, a pesquisa aponta melhora na percepção do consumo atual e das expectativas de consumo em ambas as faixas de renda. Entre as famílias de menor renda, o índice de consumo atual avançou para 86,5 pontos. No grupo de maior renda, chegou a 107,1 pontos, indicando que esses consumidores já percebem aumento efetivo nas compras.
“O consumo reage primeiro entre as famílias de maior renda, que têm mais folga orçamentária e acesso ao crédito. Para as famílias de menor renda, a melhora é mais gradual e depende de fatores como estabilidade no emprego e desaceleração dos preços”, completa Regiane Dedé de Oliveira.
A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias é realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio e avalia a percepção dos consumidores sobre emprego, renda, consumo e crédito, sendo considerada um dos principais indicadores antecedentes do comportamento do consumo no país.





