02/02/2026 19:28

02/02/2026 19:28

23 dias de ônibus pela América Latina

Cataratas, churrasco, tortilha, vulcão e um banho de deserto.

Ariosto Mesquita (ariostomesquita@gmail.com),
especial para o Made in MS

Imagine fazer uma viagem de 23 dias por cinco países da América do Sul. “Que maravilha! De boa!”, provavelmente diria a maioria. O desafio, no entanto, é encarar tudo isso, por rodovia, a bordo de um ônibus e convivendo todo este tempo (incluindo uma virada de ano) com gente que você nunca viu.  Alguém poderia comparar com uma “espécie de big brother road”, e certamente estaria mais próximo do alerta, no estilo sincerão, feito dias antes do início da aventura pelolíder/guia e coordenador do grupo, Jonas Medeiros: Este é o tipo de viagem que tem tudo pra dar errado: juntar 26 pessoas desconhecidas por mais de 20 dias é imprevisível”. Veja mais no vídeo acima.

Embarque para a expedição em São Paulo (Foto: Ariosto Mesquita).

A reportagem do “Made in MS” embarcou nessa, a bordo da Expedição Inca que partiu do Brasil (Feliz, RS) no final da noite do dia 25 de dezembro de 2025, retornando somente dia 17 de janeiro de 2026. Neste intervalo, atrações brasileiras e muita vivência cultural, histórica, social, ambiental, gastronômica e arqueológica pela Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Um verdadeiro mergulho no passado da Civilização Inca e no presente de comunidades que buscam preservar e difundir suas origens e crenças, em que pese a devastação e tentativa de apagamento provocada pelos espanhóis a partir do século XVI (a capital do Império Inca, Cusco, foi conquistada por Francisco Pizarro em 1533).

Foram mais de 13 mil km percorridos. Algo bem próximoà distância São Paulo x Nova Iorque em linha reta, ida e volta. Entre praias, montanhas e desertos, a resistência física também foi colocada à prova, seja percorrendo trilhas íngremes, encarando os efeitos da altitude (vários dias na casa de 4.000 metros acima do nível do mar) ou enfrentando temperaturas que, em um mesmo dia, podia variar (como aconteceu) entre cinco graus negativos e 30 positivos, amplitude térmica muito comum no verão andino, sobretudo nos desertos.

Expedição percorreu mais de 13 mil quilômetros (Foto: Ariosto Mesquita).

Essa edição da Expedição Inca foi a segunda organizada pela Nova Palmira Viagens e Turismo, empresa sediada em Feliz (RS), com frota própria de ônibus e 77 anos de atuação (incluindo o primeiro dono). “Neste modelo, com este ônibus, a primeira aconteceu em junho de 2025, mas realizamos viagens internacionais desde a década de 1980”, conta Islan Weber, diretor e sucessor (terceira geração) natural do negócio familiar iniciado pelo seu avô, Iddo José Weber, que era caminhoneiro e acabou comprando a empresa de transportes em 1966.

Este modelo de viagem vem ganhando espaço nos últimos anos na cola da crescente tecnologia embarcada nos ônibus. E para uma maratona rodoviária como essa, Weber disponibiliza um dos mais modernos carros da frota, com uma configuração capaz para dar o melhor suporte aos viajantes. Trata-se do Marcopolo Paradiso G8 1.800 DD Leito Cama Next com massageador ano 2024/2025. Cada poltrona – são apenas 26 mais acomodações para dois motoristas e um guia-líder – é uma espécie de micro cabine, que reclina a 180 graus e conta com controle remoto individual com o qual o viajante aciona um sistema de massagens de três níveis. Isso se mostrou adequado tanto para momentos de relaxamento quanto na busca de uma eficiente circulação sanguínea, uma vez que neste perfil de viagem, alguns pernoites ocorrem na estrada, em deslocamento.

De quebra, monitores transmitem imagens externas do percurso e a turma ainda conta com geladeira (com água e refrigerante), máquina de café e água quente, que se mostrou essencial para o preparo de chás no enfrentamento dos efeitos da altitude. E para quem não consegue viver sem conexão, o ônibus tambémentregaserviço de internet via satélite (Starlink antena padrão/plano viagem) de alta velocidade. Em todo o trajetoele raramente oscilou. Isso só ocorreu quando estruturas bloqueavam a visão da antena (em aduanas e postos de combustíveis, por exemplo).

Quebrando o gelo

A Expedição Inca reuniu gente de cinco estados brasileiros: RS, SC, PR MG, SP e MS, com idade variando entre a faixa dos 40 e 70 anos, alguns experientes em viagens, trilhas e montanhas mundo a fora. O busão partiu por volta das 23 horas do dia 25/12 de Feliz (RS), rumo a São Paulo (SP) e de lá seguiu para Foz do Iguaçu (PR). Todo este périplo foi adotado para facilitar o embarque de cada um. Optamos (eu e minha esposa, Claudia Aude), por exemplo, em tomar nossos lugares na capital paulista, no início da noite do dia 26. Aos poucos, todos foram se acomodando, quebrando o gelo e trocando as primeiras palavras.

O último embarque (um casal) aconteceu às 5 da manhã no dia 27/12 em Mandaguari, cidade entre Londrina e Maringá.  Grupo formado e feitas as devidas apresentações, ficou clara a predominância de professores e aposentados, reunindo também, dentre outros profissionais, uma bióloga, técnico químico, jornalista (este escriba), médico veterinário, contador, empresários, engenheiro civil e pecuarista.

Primeira parada da expedição foi em Foz do Iguaçu para a visitação as famosas Cataratas (Foto: Ariosto Mesquita).

A cidade de Foz serviu como primeiro destino e porta de entrada para os demais países, uma vez que é estrategicamente localizada na chamada tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai). Chegamos ao final da manhã do dia 27 de dezembro e a cidade bombava de turistas. A informação era que filas enormes se formavam no acesso para o principal destino: a trilha das Cataratas, no Parque Nacional do Iguaçu. A opção foi deixar a visita para a parte da tarde.

Visitação as Cataratas é uma grande atração em Foz do Iguaçu (Foto: Ariosto Mesquita).

Almoçamos na Churrascaria Premium, local de um bom rodízio de carnes sem esquecer o queijo coalho com melado de cana, iguaria servida à mesa mesclando a culinária nordestina e mineira, respectivamente. Em seguida fizemos o check-in no Hotel Real, localizado próximo a uma boa rede de apoio. Saímos para a visita às Cataratas por volta das 15 horas. Após um percurso de 32 km percebemos que as filas continuavam imensas. Entre o procedimento de acesso, visita, saída e retorno ao hotel, levamos cinco horas.

Porém, nada a reclamar. O espetáculo estava garantido pela arquitetura natural em constante construção por águas volumosas. O Parquedo Iguaçu é considerado Patrimônio Mundial Natural, protege uma área total de 185 mil hectares e soma 270 quedas de água, 30% no Brasil e 70% na Argentina. Em função disso, boa parte está “virada” para o lado brasileiro o que explica a grande demanda por visitantes.

De acordo com a administração nacional, a unidade de conservação bateu recorde em 2025, recebendo 2.058.539 visitantes de 207 diferentes países, representando um aumento de 8,7% em relação a 2024. Entre os estados brasileiros, o Paraná liderou no ano passado (384.034 pessoas). O Mato Grosso do Sul ficou em 9º lugar, depois de enviar 17.932 visitantes.

A unidade de conservação bateu recorde em 2025, recebendo 2.058.539 visitantes de 207 diferentes países (Foto: Ariosto Mesquita).

Primeira estilingada: quase 2.000 km

O dia 28 de dezembro marcou o início do primeiro desafio estradeiro do grupo: um percurso direto de 1.957 km entre Foz do Iguaçu até São Pedro do Atacama (Chile) com paradas apenas para refeições e ida a banheiros. A passagem pela aduana na divisa do Brasil com a Argentina também revelou o puxado procedimento que se repetiria por mais seis vezes durante a Expedição.

Início do primeiro desafio estradeiro do grupo: um percurso direto de 1.957 km entre Foz do Iguaçu até São Pedro do Atacama (Chile) (Foto: Ariosto Mesquita).

Todos os passageiros, munidos de seus documentos, primeiramente entram na fila para o registro de saída de um país. Depois, o grupo enfrenta mais uma fila para entrada no outro. Em seguida, todos devem levar suas próprias bagagens para o raio x, enquanto o ônibus passa por uma espécie de pente fino. Para uma viagem de 23 dias, com necessidade de roupas para frio e calor, além de espaço para acomodar compras e lembranças, fica fácil imaginar o tamanho das malas e o esforço de cada um. Há de se ressaltar que em todas as aduanas, a equipe Nova Palmira deu toda assistência, acompanhamento e orientação.

Passagem da expedição pela fronteira entre a Argentina e o Chile, na Cordilheira dos Andes (Foto: Ariosto Mesquita).

Entramos na Argentina por volta das 9 horas pela RN (Ruta Nacional) 12, rodovia que atravessa a alça portenha margeando a fronteira com o Paraguai (e o Rio Paraná), cruzando as províncias de Misiones e Corrientes. A parada para a primeira refeição fora do Brasil foi na Churrascaria Matias, na cidade de Puerto Rico. Lá, a carne é levada às mesas, pelos garçons, em travessas com múltiplos cortes. Você retira com seu garfo. Alguns nitidamente se incomodaram com as várias espetadas “babadas” que outros faziam antes da escolha, mas em geral a comida foi mais elogiada do que em Foz. Não tivemos controle de comanda com os garçons. Cada um chegava no caixa, informava o que consumiu e pagava.

No nosso caso, considerando um almoço “rodízio” para duas pessoas, uma cerveja Quilmes de um litro, mais uma coca zero de 600 ml, pagamos 58.000 pesos argentinos, o equivalente a R$ 221através do cartão de débito internacional Wise. Levando em conta o câmbio que fizermos também em dinheiro com a moeda argentina (1 real = 240 pesos) e o pagamento efetuado em pesos com cartão(cuja conversão, com impostos, ficou de 1 real = 262 pesos), “economizamos” R$ 26,00.

Gastronomia típica foi um dos destaques na expedição (Foto: Ariosto Mesquita).

Neste almoço, percebemos que não estávamos sozinhos. Mais dois ônibus despejaram brasileiros na churrascaria. No final da tarde, em uma parada para abastecimento em Ita-Ibate (após 466 km percorridos no dia), topamos com a galera da “Expedição Caminho do Atacama” a bordo de oito automóveis originários de diferentes cidades do Brasil que partiram, juntos, de Foz, rumo ao Chile.

No início da noite, chegando à cidade de Corrientes (capital da província de mesmo nome), cruzamos o Rio Paraná e entramos no Chaco portenho, agora pela RN 16, e levamos praticamente a noite toda para atravessar esta região, uma das mais ermas da Argentina, quase um ‘retão’ rumo à província de Salta, com pavimentação nem sempre em bom estado.

Subindo a “serra”

No dia 29, finalmente começamos a viver a emoção de iniciar a travessia rodoviária pela Cordilheira dos Andes, a partir da província de Jujuy, margeando o quase seco Rio Grande (caudaloso a partir do derretimento das geleiras, na primavera). O ‘retão’ do Chaco deu lugar a curvas de tirar o fôlego. A sinuosidade da pista e os precipícios às suas margens dividiam a atenção com os desenhos e recortes das montanhas. Começava oespetáculo.

Uma prévia do que veríamos dias depois, na Bolívia, foi a rápida parada nas Salinas Grandes de Jujuy, um altiplano (altitude na casa de 3.400 metros)de sal – cerca de 500 km2. Aproveitamos para comprar tortilhas. Decisão muito acertada, por sinal. Com recheios variados (queijo de cabra, presunto, salame, etc.) a massa apresenta uma textura crocante por fora e, por ser preparada na brasa, carrega um toque defumado muito saboroso. Foi nosso almoço no dia.

Salianas Grandes de Jujuy, na Argentina (Foto: Ariosto Mesquita).

Nas barracas, tente desconsiderar se a cozinheira nativa lhe entregar uma tortilha com a mão, sem luvas ou guardanapo. Pagamos3.000 pesos (R$ 12,50) a grande e 1.000 pesos (R$ 4,15) a pequena (tudo em dinheiro). Para acompanhar, boas doses de chás de folha de coca ou de muñapara minimizar os efeitos da altitude.

Salinas Grandes de Jujuy tem cerca de 500 km2 de sal (Foto: Ariosto Mesquita).

Dentro de um vulcão a cinco graus negativos

A chegada a São Pedro do Atacama, na região de Antofagasta, no Chile, só aconteceu na noite do dia 29, um dia e meio depois de deixarmos Foz do Iguaçu. Trata-se de um vilarejo (perto de 5.000 habitantes) a 2.400 metros de altitude carregado de misticismo, funcionando como uma espécie de ponto de apoio (com hotéis simples, lojinhas e restaurantes) para explorar parte daquele que é considerado o deserto mais seco do mundo: o Atacama.

Deserto do Atacama, no Chile (Foto: Ariosto Mesquita).

Nesta cidadezinha, alimentação não é necessariamente coisa das mais baratas. Encontramos ceviche na casa dos R$ 200,00. Mas pesquisando um pouco se come bem a preço justo. Nossa sugestão são restaurantes que ofereçam o “menu do dia”, composto de entrada, prato principal, complemento e sobremesa. No “La Picada del Índio”, por exemplo, pagamos 8.000 pesos chilenos (R$ 53 na conversão do dia) por guacamole + lasanha de beringela + salada mista + pudim.

Formação rochosa em meio ao deserto do Atacama (Foto: Ariosto Mesquita).

São Pedro de Atacama é cercado de muita areia, rochas, salinas, fontes termais e vulcões. E foi em um deles que tivemos uma das principais experiências desta etapa da expedição.No final da madrugada do dia 30 de dezembro deixamos o hotel, em São Pedro, rumo ao Geiseres del Tatio, na companhia do carioca Elias Júnior, que conhece a região há 10 anos e que há quatro trabalha recebendo visitantes brasileiros.

Após um percurso íngreme em estrada de terra de pouco mais de uma hora e meia (88 km a partir de São Pedro), fomos colocados literalmente no interior de uma cratera de um vulcão ativo pouco antes do amanhecer e a uma temperatura ambiente de cinco graus negativos. Tudo para acompanhar o espetáculo dos geiseres. E que show!

“O Gêiseres Del Tatio é o terceiro maior campo geotérmico do mundo. A parte mais baixa, onde estamos, é como se fosse um crater do vulcão. Toda a neve da cordilheira desce e vira lençol freático. Embaixo tem magma que aquece o solo e a água que, ao entrar em ebulição, forma o gêiser quando encontra a temperatura fria do exterior. Como estamos a 4.200 metros acima do nível do mar, esta água ferve a partir de 85 graus e não a 100 graus como estamos acostumados”, explica Júnior. Como, via de regra, o frio é mais intenso ao final das madrugadas, esse é o melhor momento para acompanhar o show das erupções, que criam cortinas de vapor com até 10 metros de altura.

Gêiseres Del Tatio (Foto: Ariosto Mesquita).

Mas, cuidado! É muito arriscado apreciar o espetáculo nessas condições de clima sem uma vestimenta adequada. Se no verão, as temperaturas chegam na casa de sete a oito graus negativos, no inverno podem despencar abaixo de – 20 graus. Considerando o mês de dezembro, usamos duas calças (sendo uma térmica), camisa e meias térmicas, blusa de lã, blusão corta vento, gorro, luvas e cachecol.

Terminado o espetáculo, veio a cereja do bolo: um café da manhã ao lado do Vulcão Tatio, oferecido pela equipe de Júnior, contratada pela Nova Palmira para dar apoio ao grupo no Atacama. Na parte da tarde, já com um calor beirando os 30 graus, pegamos trilhas e escalamos algumas elevações no impressionante Valle de la Luna, a 13 km a oste de São Pedro, em plena Cordilheira de Sal (base da formação, ao lado de gesso e argila).

Como o nome sugere, o lugar apresenta uma rica paisagem natural que lembra a superfície lunar. Ouvimos até relatos de que serviu de locação (ou inspiração) para cenas da série “The Mandalorian”, da franquiaStar Wars. Destaque para o “Anfiteatro”, uma enorme e natural formação geológica, que mais lembra as grandes arenas romanas da antiguidade clássica.

A 4.200 metros acima do nível do mar, água ferve a partir de 85 graus na região (Foto: Ariosto Mesquita).

Na sequência, ainda passamos pelo Valle de la Muerte (16 km de São Pedro)denominação equivocada, segundo os relatos nativos, pois o batismo correto seria “Valle de Marte”. A justificativa vem justamente por suas formações, com rochas avermelhadas, lembrando nosso planeta vizinho. Quando tudo indicava que o próximo passo era voltar para o hotel, a organização novamente surpreende ao oferecer, antes do retorno, um coquetel à sombra de um rochedo.

Se até aquele dia alguém me dissesse que, em menos de 12 horas, tomaria café completopela manhã e um delicioso vinho chileno com canapés à tarde, tudo em pleno Deserto do Atacama, eu diria que o sujeito delirava. Não é que rolou? E a aventura só estava começando.

Como funciona? Como participar? Quanto custa?

Garantir o lugar em uma expedição como essa funciona de forma muito semelhante às viagens turísticas domésticas: o roteiro e respectivas datas são oferecidos pela empresa e o interessado compra o pacote. O que muda são as particularidades das viagens internacionais (documentação, seguro saúde e processos de aduana, principalmente), o conteúdo do pacote e a relação/atendimento.

Expedição foi organizada pela Nova Palmira Turismo (Foto: Ariosto Mesquita)

A aquisição dessa viagem, especificamente, deu direito a 70 pontos de parada (turístico/cultural), 30 visitas/passeios (bilhetes e guias) em 12 cidades, ônibus leito/cama, hospedagem em hotéis de categoria superior, suporte 24 horas, coordenador de grupo, kit lanche, kit viagem (bolsa de mão e necessaire) e algumas refeições pontuais e/ou surpresas, como o café da manhã junto ao Gêiseres del Tatio e o coquetel no Valle de la Muerte (ambos no Deserto do Atacama) além de um almoço no cinematográfico Salar de Uyuni, na Bolívia. Pagamos, em meados de 2025, R$ 16 mil por pessoa.

Para gastos adicionais com alimentação, lembrancinhas e outras despesas, a coordenação de grupo sugeriu, com antecedência (através de uma reunião online  prévia), cada um dispor de uma reserva mínima entre R$ 3 a R$ 4 mil para toda a viagem. O líder/guia, Jonas Medeiros, cuidou do câmbio para aquisição de dinheiro na moeda dos quatro países visitados (peso argentino, peso chileno, sol peruano e boliviano).

Algumas regrinhas foram anunciadas também previamente. Entre elas, se evitar (chegou a ser usada a palavra “proibido”) conversas sobre futebol, política e religião. Também foi alertado de que o banheiro do ônibus deveria ser utilizado prioritariamente para o “número 1”, deixando o “número 2” para as paradas programadas. Em caso de urgência, poderia ser solicitado um “pit stop de emergência”. Essa regra foi quebrada por duas vezes no início da viagem, com agravante de muito papel higiênico jogado na privada, o que quase colapsou o sistema hidráulico do banheiro. Graças a uma “bronca” geral de Medeiros, isso não voltou a acontecer; ou pelo menos não se soube mais.

A viagem realmente carrega o espírito de expedição, exigindo certa predisposição física. Não se oferece luxo, mas se busca o máximo nível de conforto possível. Em  alguns destinos, porém, o ônibus não consegue chegar até as proximidades do local de hospedagem por dificuldades de acesso. Nesses momentos, cada participante teve de carregar sua bagagem por vielas tanto na ida quanto na volta do hotel. Tudo compensado, com sobras, pela experiência.

Compartilhe:

Útimas notícias

plugins premium WordPress